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    IGREJA CATÓLICA LIBERAL

    PROVINCIAS ECLESIÁSTICAS DA ARGENTINA E BRASIL

    ICL 

    CARTA PASTORAL
    QUARESMA 2009

    Preceda-nos, OH Senhor, em todos nossos atos, com sua bondosa graça, e nos encaminhe com Seu constante auxílio, para que em todos nossos trabalhos, começados, continuados e terminados em Ti, glorifiquemos Seu Santo Nome; por Cristo Senhor Nosso. Amém


    VIVENDO A QUARESMA

    Queridos Irmãos em Cristo:
    Este ano a Quaresma, identicamente a Semana Santa, será mais cedo. No princípio de abril teremos a Páscoa, e vemos como o "tempo" inunda-nos na vida do ritmo . A afamada escritora teosófica, e membro de nossa Igreja na Inglaterra, a Sra. Clara Codd, escreveu referindo-se ao "tempo" em uma de suas cartas dirigidas à aspirantes da vida espiritual:

    ... “O tempo não é na verdade uma medida artificial, indicada pelo tic-tac do relógio. O tempo é uma sucessão de estados de consciência e cada um possui seu próprio valor. Recordo ter sido profundamente impactado por algo que escreveu o Dr. Alexis Carell, em seu livro "A INCOGNITA DO HOMEM". Disse ali que todo médico verdadeiramente sabe que cada corpo físico possui seus próprios valores de crescimento e de saúde. Somos os reguladores de nosso tempo. Não tinha me detido a pensar isso a respeito de nossos corpos físicos, embora sabia que era verdade no referente aos corpos sutis. Na existência após a morte, o tempo não é medido pelas revoluções do planeta ou pela marcha dos relógios, mas sim pelo grau ou o ritmo da consciência. Algumas pessoas vivem com mais rapidez que outras e assim gastam sua porção de vida celeste mais rápido, de acordo com a nossa medida temporal. Em geral os intelectuais vivem um ritmo mais lento que as pessoas mais emocionais. Desta forma demoram mais tempo em seu retorno à vida.

    Não nos estendamos muito no tempo, a não ser para compreender que nos milênios do passado e do futuro a natureza do homem permanece fundamentalmente a mesma. Muitas pessoas vivem demasiadamente no passado. Existe nesse passado acontecimentos que não podem ser esquecidos. Sejam erros ou sofrimentos que se encravam na consciência como um câncer e são causas de desgastes da força vital, tornando mais pesados os sofrimentos ao se depararem com as vicissitudes do presente. O mesmo é verdade quando sonhamos muito com o futuro, em particular quando tais sonhos se referem a nós mesmos.

    Vivemos às vezes um estado de temor porque acreditamos que algo grave pode nos acontecer. O Bispo Leadbeater apontou como muitas pessoas gastam tempo e energias, na antecipação de toda classes de desgraças, que podem jamais ocorrer. E ainda se essas situações tiverem que ocorrer, bem poderíamos esperar que cheguem para nos afligir por elas.

    Tomemos a vida como ela nos vem, sem pedir nada que não seja o que a vida quer. Recordo Krishnamurti quando certa vez disse como todos tratávamos de pintar o que esperávamos da vida, em lugar de deixar que a vida realize em nós sua pintura. Quando me encontrava dando conferências na agreste Queensland, na Austrália, a senhora que me hospedava esteve cuidando de uma missão católica, e me convidou à uma das reuniões. Ali um jovem monge, que tinha o mais belo e espiritual dos rostos, disse-nos que o melhor presente que podia nos ofertar era algo que tinha achado por si mesmo, e era o viver não mais que minuto a minuto, instante a instante” ...

    O ritmo da vida pode ser para nós por um lado harmonioso, seqüencial em rítmicos ciclos naturais e profundidade de auto-observância.

    Desde o passado o Cristianismo nos apresenta a atitude interna que devemos ter no Quaresma, como um verdadeiro período de profunda reflexão, auto-analise e meditação.

    Observemos que Quaresma é um período por um lado de reflexão e purificação com o final do Carnaval, e sempre segue à segunda e terça-feiras desta festa popular, iniciando a Quaresma na quarta-feira de cinzas.
    Por isso sempre é tão importante celebrar este dia, como o início da Quaresma. Diz H. P. Blavastky em relação ao  Carnaval:
    ..... “Assim se chama aos últimos dias que precedem à Quaresma ou tempo de penitência, e sobre tudo ao domingo, segunda e terça-feira que antecedem à quarta-feira de cinzas. A alegres festas de Carnaval podem se considerar como um final dos regozijos pagãos das Bacanais, Lupercais e outras festas parecidas, consagradas por completo ao desenfreio, aos disfarces, os prazeres e ao vinho.” .....

    As festas das Bacanais são tão difusas, tão antigas e tem sofrido tantas transformações, que nos chegam como herança de uma mente medieval, acostumada a ver as festas ou festivais antigos como “costumes pagãos”.

    Na realidade o Cristianismo, tal como muitos católicos liberais pensam, é uma herança de filosofias, metafísicas e religiões mais antigas.

    A Bíblia é uma coleção de escritos recolhidos de muitas fontes, a maioria das quais não podem agora tratar-se com certeza. Uma luz reveladora temos nos Rolos do Mar Morto. Estes escritos recolhidos, escritos e guardados ciosamente durante anos nos monastérios do Qumram na Palestina, e as escavações de 1947 no Egito, em Nag-Hammadi, conhecidos como os Evangelhos Apócrifos e também os Evangelhos tradicionais, nos falam da atitude “interna da Quaresma”.

    Como dizemos na coleta da Quarta-feira de Cinzas: ... “Preceda-nos, Oh Senhor, em todos nossos atos” .... Devemos manter esse guia interno, se aceitarmos a idéia que o “Senhor” está no coração de todo ser humano e de qualquer criatura da Criação, inspirando-nos e iluminando nossos atos.

    O Monsenhor +Charles Webster Leadbeater, nosso Segundo Bispo Presidente, em sua obra: “O LADO OCULTO DOS FESTIVAIS CRISTÂOS” diz, a respeito da coleta da quarta-feira de Cinzas, no capítulo VII dessa obra:

    ... “É verdadeiramente digna de atenção a formosa coleta que usamos durante todo o período do Quaresma, e que diz assim “Preceda-nos Oh Senhor, em todos nossos atos, com Sua bondosa graça...” (Esta coleta foi revisão pelo penúltimo Sínodo Episcopal General). Suponho que mais da metade, provavelmente a terça parte dos que escutam estas palavras não sabem o que significa. A palavra “Preceda-nos” tem atualmente um significado bem diferente do que tinha nos tempos da chamada Reforma, quando se traduziu do Latim esta coleta.  Muitos entre nós sabem o suficiente do Latim para saber que “venio” significa “vir” e que “pré” significa “antes”. Prevenir, então significa “Vir antes, preceder”. Podemos ver que um homem pode preceder a outro por várias razões. Pode preceder para ficar em seu caminho e detê-lo antes de que tenha que fazer algo, o que indicamos com nossa palavra moderna “prevenir”. Podemos ver também que um homem pode ir diante de outro para lhe preparar o caminho, para facilitá-lo. Este é o significado medieval da palavra “prevenir” e que é o que significa nesta coleta quando dizemos "Preceda-nos, Oh Senhor, em todos nossos atos". Preceda-nos em todos nossos atos durante este período de Quaresma, com Sua bondosa Graça de maneira que sob Sua benigna influência esses atos possam ser como nossos desejos por merecer Seu favor. Esse é o significado dessas palavras e essa é exatamente a idéia. Possa Deus estar conosco todo este tempo de Quaresma para que nossos pés não se apartem da trilha e para que nossas palavras e pensamentos não ofendam. Deus em verdade está sempre conosco, de maneira que talvez poderíamos acrescentar outro matiz ao significado e dizer: Que durante este período de Quaresma possamos compreender que Deus está dentro de nós”....

    É tão significativo que no Primeiro Domingo da Quaresma, que precede à Quarta-feira de Cinzas, a intenção da semana seja: “EXAME DE SI MESMO”.

    Voltando ao Bispo Leadbeater e a citada obra, ela diz a respeito desta virtude a ser observada durante a semana seguinte ao Primeiro Domingo de Quaresma, no capítulo VIII:

    ... “Na coleta, Epístola e Evangelho do Primeiro Domingo de Quaresma fica em destaque a necessidade de se auto-examinar que nos descreve a Epístola: “lhes examine se estiverem na Fé”.

    É um dos muitos mal-entendidos que penetraram no Cristianismo com o correr do tempo e que nos leva a tomar essa palavra “Fé” em um sentido totalmente equivocado. Degenerou-se em algo puramente mecânico: a posse de uma fé no nascimento do Cristo em um determinado momento, a fé em que há Um Salvador do Mundo, tendo somente que apegar-se a esses dois fatos para que de algum modo possa obter algum benefício.

    De maneira nenhuma se parece com o que se queria indicar por “fé” nos primeiros tempos da Igreja. A Fé é certamente uma firme crença, mas é uma crença que tem detrás de si uma razão. Aceitamos certos feitos porque nos parecem a hipótese mais provável ali onde não podemos ter a certeza absoluta. Mas uma fé deve ter sua base na razão e deve ser tal que nos levará a atuar de acordo com ela. É inútil pretender acreditar em algo quando estamos atuando sempre como se não acreditássemos nisso. Nossa fé em relação a estes elevados assuntos deve ser bem definida, como é no mundo físico, que a água fervendo nos queimará e que um ferro em brasa nos queimará. Essa é uma fé que merece alguma coisa, mas uma fé que está meramente no ar e que não conduz a nenhum resultado é verdadeiramente algo muito pobre; não acredito que valha a pena chamá-la fé.

    Pois bem, quando o autor desta Epístola diz: “Cuide de estar na fé” o que se quer dizer é: “Vejam que sua fé seja o ensino Cristão, e que tenha sentido”. É muito certo que em matéria de religião há muita coisa vaga, assim como muita ilusão e superstição. As pessoas tem certas crenças e se aferram a elas sem razão alguma. As pessoas falam de ter fé, mas não podem defini-la com exatidão ou certeza”...

    Voltando ao capítulo VII, segue:

    ... “O conjunto dos serviços da Quaresma têm o propósito de nos auxiliar na tarefa de nos curar de nossos defeitos. A própria cor violeta empregada pela Igreja não foi eleita por acaso; foi escolhida pelo caráter estimulante e purificador de suas vibrações. Nos tempos primitivos se pendurava a cor do dia no edifício, e não se vestiam somente os oficiantes e os altares, se supunha que a tarefa de purificação seria algo mais fácil em uma atmosfera impregnada de luz violeta.

    Todas estas coisas têm raiz científica, si a compreendemos bem; mas se esqueceu o significado de seu ritual e se considera simplesmente como uma espécie de ordem de sua igreja, e poucos sabem ou se interessam na razão pela qual foi estabelecido. Mais existe uma verdadeira razão e para os que estão interessados há livros sobre tais temas. Simbolicamente este período indica a quarta grande etapa do desenvolvimento do homem; porque toda Quaresma é parte dos preparativos para uma correta celebração dessa grande Iniciação na Páscoa. Esse é seu significado simbólico, que tem também uma aplicação prática em nossa vida de todos os dias” ...

    Que esta Quaresma 2009, encontre a todos, especialmente aos católicos liberais que acreditam na evolução de tudo o que existe, em uma Fé firme e sustentada no auxílio do Sagrado, especialmente de Nosso Senhor e não decaída em dita fé, em momentos tão especiais para o mundo e cada uma de nossas nações.

    O poeta Goethe disse que a cada manhã começa a vida novamente, como um novo despertar. Por esta razão devemos viver “de instante em instante” ou “só por hoje”. Há um belo hino sânscrito chamado, O HINO AO DIA, que nos restaura a fé, em um instante profundo de certeza interior:

    Escuta o chamado da Aurora,
    Contempla bem o Dia!
    Porque ele é a Vida,
    A verdadeira vida das vidas.
    Em seu curso breve
    acham-se todas as evidências,
    As realidades de sua existência;
    A Sina da Verdade,
    A Glória da Ação,
    O esplendor da Beleza,
    Pois o ontem é semelhante a um sonho,
    O amanhã tão só uma visão,
    Mas o hoje, bem vivido,
    Faz de cada ontem
    Um sonho de Ventura
    E de cada amanhã
    Uma visão de Esperança.
    Olhe bem por isso a expressão do Dia.
    Tal é a saudação da Aurora.

    Com minhas benções para todos, desejo que esta Quaresma encontre a todos firmes e constantes em Nosso Senhor e Sua Igreja. Preparemos-nos PARA VIVER O MISTÉRIO DA PÁSCOA!

    Quarta-feira de Cinzas de 2.009.

    +miguel batet

    ass-miguel

    MIGUEL ANGEL BATET

    - BISPO REGIONÁRIO DA PROVÍNCIA ARGENTINA

    - BISPO COMISSÁRIO DA PROVÍNCIA DO BRASIL