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    A IGREJA, A MÃE DO MUNDO E A NOVA ERA

    Rev. Robert Ellwood
    Los Angeles, Califórnia, EUA

    Há muitas indicações de que agora, ao nos movermos de um milênio para outro, profundas modificações estão tendo lugar na ecologia espiritual do mundo. Isso foi previsto pelo Bispo Leadbeater e na verdade a preparação para isso no mundo e nos planos internos foi uma das razões maiores para o estabelecimento da Igreja Católica Liberal.

    De acordo com o Bispo Leadbeater, a Igreja foi parte de uma nova corrente de pensamento do Mestre do Sétimo Raio, o Raio do trabalho cerimonial: "O futuro está com a Igreja, pois o Sétimo Raio... está começando a dominar no mundo... o próprio Senhor, que fundou a Igreja, está vindo visitá-la uma vez mais; possa Ele encontrá-la pronta para recebê-Lo, plena de atividade, devoção e amor."

    As mudanças estão tendo lugar especialmente em um nível profundo e são globais no que diz respeito aos papéis social e espiritual dos homens e mulheres, como parece que o Bispo Leadbeater estava começando a suspeitar. Requer-se apenas lembrar da renovada adoração das deusas, a recente autorização para ordenação de mulheres nas proeminentes Igrejas Protestante e Anglicana, e o crescente número de mulheres matriculadas em escolas teológicas. No mundo laico, no final do século XX as mulheres entraram nos negócios, nas profissões e nos governos lado a lado com os homens e em número crescente. Aqueles afinados à verdade esotérica dirão, nas palavras de Geoffrey Hodson, que a Mãe do Mundo é a personificação da própria matéria como o "ventre onde todos os mundos são gestados, de onde todos eles nascem e para onde todos voltarão", honrada e cultuada nas religiões exotéricas como "uma Deusa, um Arcanjo, Mãe de universos, raças, nações e povos", e que Sua influência está agora crescendo no mundo, de acordo com grandes ciclos de energias espirituais.

    Esta percepção remonta aos tempos de Leadbeater, Besant, e Hodson. Ensinamentos teosóficos da década de 1920, como "A Nova Anunciação", um sermão dado em 1928 por Annie Besant na Igreja Católica Liberal em Adyar, anunciaram uma nova ênfase no papel feminino no governo interno do mundo. A Presidenta Besant(1) declarou então o dia 24 de março, a tradicional Festa da Anunciação, como sendo o Dia da Mãe do Mundo. Tudo isso sugere que a Mãe do Mundo está, no século XX em diante, despertando novos níveis de consciência. Novas energias provenientes d´Ela estão sendo refletidas naqueles peregrinos deste mundo que são sensíveis a este influxo de força, tanto mulheres que reconhecem um novo poder feminino em si mesmas quanto homens com suficiente clareza interior para sentir e ser receptivos a ele. Para sermos exatos, o significado e a intenção precisos do fluxo de energia dos planos internos podem ser e são freqüentemente distorcidos e mal compreendidos no nível egóico de nossas mentes, atados como são pela ignorância, desejo e fatores kármicos. Mesmo assim seria tolice negar que algo muito grande está acontecendo, e que está conectado à evolução espiritual do mundo.

    Mudanças evolucionárias ligadas ao papel espiritual dos gêneros não são coisa nova. O mundo já passou antes por imensos ciclos de predominância masculina ou feminina no nível do simbolismo espiritual, energia e papéis. A era Neolítica dos agricultores arcaicos (cerca de 10.000 a 1.000 A.C.) foi de muitas maneiras um tempo de predominância feminina na religião. A Mãe Terra ou Deusa Mãe, sempre importante em sociedades agrárias, era largamente cultuada. Muitas sociedades eram matriarcais ou matrilineares, sacerdotisas e mulheres xamãs eram religiosamente distinguidas e eram algumas vezes até governantes. Este padrão foi substituído por volta do último milênio antes de Cristo no que tem sido chamado "a revolução patriarcal", quando homens assumiram o controle da religião e da ordem social. Esta revolução está por trás de virtualmente todas as "grandes religiões" do mundo - Hinduísmo, Budismo, Confucionismo, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo - com seus deuses, salvadores e fundadores masculinos. Suas escrituras foram compostas quase exclusivamente por homens, sua liderança e sacerdócio masculinos, e sancionaram ordens sociais hierárquicas nas quais os homens dominaram. Agora podemos estar vendo os primeiros sinais de uma outra volta na roda, tanto no mundo do espírito como na ordem social, pois esses padrões estão sendo observados com uma visão cada vez mais crítica e questionadora.

    Nada pode desculpar a terrível opressão sobre as mulheres que ocorreu não raramente na era patriarcal em todas as sociedades, que atingiu o nível de práticas tão inomináveis como a cremação das viúvas e o enfaixamento dos pés(2). Estes abusos foram causados pela simples ignorância humana e má vontade e com certeza foram facilitados por estruturas sociais, que davam a um dos gêneros um grande, por vezes quase total, poder sobre o outro. Ao mesmo tempo, numa perspectiva evolutiva pode ser dito que eras de predominância espiritual feminina e masculina podem ser vistas como complementares antes que necessariamente antagônicas, e podem estar levando a uma síntese mais elevada - só tênuemente discernível agora - quando os plenos dons espirituais de cada puderem existir em harmonia, para profundo enriquecimento de ambos. Pode ser notado que o começo do novo ciclo e mesmo um precoce pressentimento da síntese podem estar refletidos no trabalho de grandes mulheres da Teosofia, como Helena Blavatsky e Annie Besant, que tão estreitamente trabalharam com o Bispo Leadbeater e a Igreja Católica Liberal.

    O que tudo isso significa para o futuro da igreja, especialmente a Igreja Católica Liberal? Significará que mulheres deverão ser ordenadas ao sacerdócio de nossa Igreja? O Bispo Leadbeater comentou, em umas poucas mas significativas e bem conhecidas linhas, que "As forças agora arranjadas para distribuição através do sacerdócio não trabalhariam eficazmente através do corpo feminino; mas é muito possível conceber que os atuais arranjos possam ser alterados pelo próprio Senhor. Sem dúvida seria fácil para Ele, se assim escolhesse, até mesmo reviver alguma forma das antigas religiões nas quais o aspecto feminino da Deidade era canalizado por sacerdotisas, ou modificar a estrutura do esquema Católico de forças para que o corpo feminino pudesse ser satisfatoriamente empregado no trabalho. Enquanto isso não ocorre, não temos escolha a não ser administrar Sua Igreja ao longo das linhas que nos foram indicadas".

    Alguns podem considerar essas profecias como estando já sendo cumpridas, certamente a primeira sobre o resurgimento das sacerdotisas da antiga religião, que estão hoje todas à nossa volta; a segunda certamente sugerida pela crescente aceitação de clérigos femininos nas principais igrejas. Pois este novo mundo espiritual em que vivemos hoje pode não necessariamente incluir a ordenação de mulheres para o sacerdócio da Igreja Católica Liberal do modo como hoje ela está constituída, ou sua elevação ao presente modo de liderança exercida pelos bispos na sucessão apostólica. Precisamos ter algum sinal de que a mudança específica mencionada pelo Bispo Leadbeater tenha de fato acontecido. Até que haja uma clara indicação da vontade do Senhor para nós, a ICL teria motivo para considerar se sua vocação é seguir na mesma direção das mudanças das Igrejas Protestante e Anglicana, ou se poderia haver um outro apelo nessa matéria.

    Um ponto de contraste é que a elegibilidade das mulheres ao ministério ou sacerdócio é, pelo que entendo, considerada por aquelas igrejas líderes que têm ordenado mulheres, como tendo sido sempre essa a normalidade, mas que as igrejas não a teriam reconhecido senão recentemente; enquanto isso, a visão do Bispo Leadbeater é em realidade muito diferente: a de que as mulheres até agora não têm sido e não são fisicamente (incluindo a física da matéria sutil) veículos adequados para o sacerdócio, mas que isso poderia facilmente ser mudado pela vontade divina em algum ponto no presente ou no futuro. Precisaremos, portanto, de algum sinal mais nítido dessa mudança interna. Pode ser assinalado que o ponto de vista predominante, onde a ordenação das mulheres teria sido sempre apropriada mas não reconhecida até agora, parece indicar antes uma concepção pobre a respeito da habilidade do Espírito Santo em preservar Sua Igreja de erros essenciais e manter suas instituições em boa ordem; por outro lado as palavras do Bispo Leadbeater desenham um Senhor da Igreja que é seu Chefe ativo, dirigindo-a através das eras e introduzindo modificações importantes quando é Sua vontade fazê-lo.

    Entretanto, a ordenação e consagração de mulheres em igrejas influentes é claramente compreensível em virtude da sua visão mais carismática e menos técnica do ministério que a nossa, mesmo naquelas igrejas que têm sucessão apostólica. Indubitavelmente muitas mulheres vocacionadas àqueles ministérios têm maravilhosos dons para o magistério e trabalho pastoral e os estão exercendo bem; seu trabalho é seguramente em certa medida um sinal da nova dispensação que irradia da Mãe do Mundo. Já a visão Católica Liberal do sacerdócio depende de uma percepção de que ele envolve a cuidadosa canalização de energias divinas através dos planos internos até o mundo. Parte do que deve ser considerado ao trabalharmos com os planos internos é a forma na qual existem distintas correntes de energia masculina e feminina e os canais destas energias.

    Pela maioria das evidências, sejam teológicas, esotéricas ou clarividentes, os ritos Católicos Liberais, que são entendidos pela igreja como sendo uma canalização técnica de energias através dos sacramentos, têm estado em relação recíproca com as energias masculinas, e por isso dependem do sacerdócio masculino tradicional, até que haja um sinal divino de mudança. A ordenação de mulheres ao sacerdócio, antes disso, não constituiria um modo correto, na ICL, de canalizar as novas energias espirituais agora emergindo da Mãe do Mundo. Em um sentido real, aquelas forças são excessivamente vastas e poderosas e abrangentes para tão limitado ainda que excelente veículo. Seria como colocar vinho novo em odres velhos. Antes, deixemos o sacerdócio tradicional continuar na nova era como uma ininterrupta presença do passado, elevando-nos da unidimensionalidade do presente e canalizando as graças antigas do Cristianismo junto com as novas.

    Pode ser notado que um entendimento de diferenças espirituais de gênero também está verdadeiramente refletido em alguns dos próprios movimentos espirituais da nova era, em verdade nas novas sacerdotisas da antiga religião. Muitas mulheres cultuam a Deusa mais que a Deus precisamente por essa razão. Alguns novos grupos religiosos, tanto neo-pagãos e Cristãos, têm tanto sacerdotes como sacerdotisas, com papéis ritualísticos separados mas complementares no intuito de utilizar os respectivos poderes espirituais distintivos de cada gênero. Algumas mulheres hoje cultuam somente com outras mulheres no que chamam Cultos de Diana, na Wicca, ou em igrejas femininas na Cristandade, compreensivelmente acreditando que é chegado o tempo em que é importante para as mulheres descobrir e resgatar as energias femininas latentes na religião e que isso é melhor executado passando algum tempo apenas entre elas. Pode ser que o Espírito esteja se movendo mais em direção a uma nova descoberta das diferentes mas equivalentes e complementares energias espirituais, do que procurando "modificar as estruturas" do que hoje são espiritual e fisicamente dois gêneros para torná-los numa igualdade indiferenciada. Talvez haja mais a ser aprendido e ganho através de uma apreciação mais profunda, em amor à diferença.

    Mas a chegada de uma nova era espiritual não significa que a antiga seja abolida por inteiro e deva desaparecer. Antes, uma vez que a visão ultérrima é de complementaridade e síntese, é vitalmente importante manter ambos os lados vivos. Algo da era masculina de Jesus e dos outros fundadores das religiões "patriarcais" deve permanecer, mas de um modo mais gentil e compreensivo, para dar testemunho de sua própria validade e para ser parte do todo. Durante a era patriarcal, o feminino na espiritualidade continuou vivo, como o reconheceram Leadbeater e Hodson. Deusas hindus, mulheres xamã na China, Japão e outros lugares; mulheres santas em todas as fés; o culto da Bendita Virgem Maria no Cristianismo, todas deram expressão à Mãe do Mundo como consorte do Espírito Santo por trás da cena e às margens dos grandes credos ao longo dos últimos dois mil anos. Do mesmo modo, espero que o sacerdócio masculino tradicional tenha seu lugar, um lugar profundamente valorizado pelos Católicos Liberais e creio que pelos outros também, já que mantém vivo em um universo espiritual novo e diferente o que foi e ainda é um canal válido para as energias liberadas no mundo por Cristo.

    Dizer isso não é lançar um julgamento sobre as políticas em mudança das outras igrejas: não é nossa função fazer isso. Não é dizer que Deus não trabalha em incontáveis e maravilhosas maneiras pelo mundo através de pessoas de ambos os gêneros e todos os tipos e classes, sacerdotes e leigos, crentes e incrédulos. O sacerdócio Católico Liberal pode ser apenas uma pequena parte da totalidade do trabalho divino no mundo. Mesmo assim acreditamos que tem um lugar, e sua manutenção é responsabilidade confiada àqueles dentre nós que encontraram seu caminho nesta pequena comunhão.

    Parece-me que a ICL - a qual, a despeito do nome, parece ser conduzida pelo Espírito de modo a ser a um tempo conservadora e liberal - tem uma vocação particular e positiva para preservar certas formas autênticas de culto: aquelas da Eucaristia ou Missa tradicionais e outros sacramentos e serviços juntamente com seu sacerdócio, que têm sido drasticamente alterados na maioria dos outros ritos Católicos do ocidente. Este é um papel importante, e um papel que pode bem demonstrar ter sido importante naquele Dia em que as coisas ocultas do tempo e do espaço forem reveladas. É um papel do qual podemos nos orgulhar e ao qual devemos firmemente nos apegar, não só por razões espirituais mas também por razões históricas, estéticas e culturais. Mas a razão maior é que para nós esses ritos particulares e este sacerdócio canalizam a energia divina de um modo muito eficiente. Podemos somente aceitar com humildade o que a experiência diz a nosso favor, porque sabemos que quanto mais divina graça recebermos, ainda que indignos, melhor poderemos trazer o Amor de Deus e o exemplo de Cristo para o mundo em tudo o que fizermos com nossas vidas.

    Como então corresponderemos às novas energias femininas, em sua origem profunda na Mãe do Mundo, que certamente estão chegando e são parte da evolução espiritual do mundo? Primeiro, eu diria que a despeito dos muitos sinais de iminente desenvolvimento evolutivo, estamos percebendo somente a estrela da manhã e as primeiras cores da aurora. A forma completa do novo ainda não revelou-se verdadeiramente. Seria prematuro, portanto, preparar uma agenda detalhada. Talvez surja um novo Instrutor do Mundo. Talvez uma canalização associada de novas graças, com novos rituais ou formas de espiritualidade venham a surgir, sem dúvida entre as mulheres. Podemos por ora só manter fé genuína e com mente aberta continuar a receber todas as graças que pudermos pelos meios que dispomos. Deveríamos aumentar nossa devoção à Mãe do Mundo sob a forma de Nossa Senhora para tornarmo-nos verdadeiros "canais para Sua maravilhosa ternura, agentes de Seu sempre pronto auxílio". Deveríamos honrar e aprender de todas as mulheres santas do passado, do presente e vindouras. Deveríamos honrar e praticar em toda parte a igualdade de gêneros, com suas distintas vias espirituais, no mundo e na igreja. Deveríamos estar muito atentos a quaisquer indicações de que o Senhor tenha realmente mudado os modelos de gênero no Seu trabalho: nesse sentido o Bispo Leadbeater sugeriu que seria simples para Ele fazer isso, ou já o fez de um modo totalmente novo e inesperado.

    Algum dia, eu acredito, um novo templo/igreja aparecerá no mundo. Nele o antigo sacerdócio e um novo sacerdócio serão igualmente honrados e seus ritos se harmonizarão um com o outro como a mão direita encaixando-se na esquerda. Nenhuma será maior ou menor que a outra. Nele o Reino dos Céus será como um tesoureiro que tira do tesouro de suas arcas coisas antigas e novas (Mat.13:52). Até esse dia, permaneçamos vigilantes, como as virgens prudentes cuidando e esperando com simplicidade de coração pelo noivo bem como pelas bodas.

    Notas:

    (1) Annie Besant - (1847-1933), foi Presidenta Internacional da Sociedade Teosófica de 1907 até sua morte. - N. do Trad.

    (2) No antigo hinduísmo e em algumas outras religiões era costume as mulheres serem cremadas juntamente com o corpo de seus falecidos maridos, em sinal de fidelidade. Na China até há pouco tempo era usado enfaixar os pés das meninas desde tenra idade para que não crescessem, deixando os pés atrofiados e diminutos.

    Referências:

    The Theosophist, August, 1917, p. 672.

    Geoffrey Hodson, The Kingdom of the Gods. Adyar: Theosophical Publishing House, 1952, pp. 242-43.

    Annie Besant. The New Annunciation, The World Mother, May, 1928.

    C.W. Leadbeater, The Science of the Sacraments. Adyar: Theosophical Publishing House

    Tradução: Ricardo Frantz
    Revisão: Rev.Pe.Osmar de Carvalho