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    SACERDOTE SEGUNDO A ORDEM DE MELCHIZEDEK

    Alvin Langdon Coburn

    É sempre útil no início de cada pesquisa definir nosso ponto principal, então nos perguntemos, o que é um sacerdote? A resposta é que um sacerdote é alguém que atua como mediador entre os homens e a Deidade. Um sacerdote, então, apresenta os homens a Deus, ao contrário do profeta, que apresenta Deus aos homens.

    Melchizedek, que é chamado sacerdote de Deus Altíssimo, é mencionado na Bíblia em três ocasiões, todas importantes e significativas. A primeira menção a Melchizedek está no capítulo XIV do livro do Gênesis, onde se descreve uma batalha entre reis: quatro reis contra cinco, onde os quatro acabam vitoriosos sobre os cinco. Mas entre os prisioneiros está Lot, filho do irmão de Abraão, e em conseqüência disso Abraão dá armas aos seus servos treinados, trava batalha, vence aqueles Reis vitoriosos, e resgata Lot de suas mãos.

    É depois dessa vitória de Abraão que Melchizedek misteriosamente aparece, como é bem registrado nos versículos 18 a 20 do 14º capítulo do Gênesis: "E Melchizedek, Rei de Salem, mandou trazer pão e vinho: e Ele era sacerdote de Deus Altíssimo. E ele abençoou Abraão e disse: 'Bendito sejas, Abraão, pelo Deus Altíssimo, criador do céu e da terra. E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou teus inimigos em tuas mãos'. E Abraão deu-Lhe o dízimo de tudo."

    Quem é, pois, este Melchizedek? Como a passagem indica, Ele é um sacerdote do Deus Altíssimo, mas além disso há numerosas sugestões sobre Sua verdadeira natureza e importância. Ele é chamado Rei de Salem, isto é, Rei da Cidade da Paz; Ele tem sido considerado um Visitante Angélico; tal como o próprio Cristo que aparece a Abraão abençoando-o. Outros O têm imaginado como o Espírito Santo, e novamente uma personificação da Sabedoria Divina.

    Seja como for, Ele deve ter sido de uma dignidade e significância espiritual supremas para o patriarca Abraão ter sido por Ele abençoado e pagar-Lhe tributos como a um superior. No verdadeiramente messiânico Salmo 110 nós encontramos uma segunda referência a Melchizedek. Este é o Salmo citado por Jesus no Evangelho, como sendo referente a Si próprio, de acordo com Marcos, XII:26. É uma breve referência de passagem, mas liga o Velho Testamento ao Novo. No versículo 4 do Salmo 110, temos: "Tu és para sempre sacerdote segundo a ordem de Melchizedek".

    Esta é uma clara indicação que há dois gêneros ou ordens de sacerdócio: uma literal e histórica e outra mística; uma de acordo com as leis do homem, a outra de acordo com a lei de Deus; uma hereditária, outra eterna.

    O primeiro sacerdócio de Israel teve Aarão como fundador. Foi uma sucessão humana, pois Aarão foi sucedido por seu filho no ofício sacerdotal; mas o sacerdócio de Melchizedek é sem começo e sem término, não possuindo ancestralidade terrena, fluindo diretamente da Divina Fonte. Não foi anunciado, ainda que seja plenamente constituído.

    Desse modo chegamos à terceira e última referência bíblica a Melchizedek, e desta vez no Novo Testamento, na Epístola aos Hebreus. A sacra exposição deste cumprimento da lei é dada nos capítulos V, VI e VII desta Epístola, mas especialmente no capítulo VII, mas toma a passagem original do Gênesis XIV, que já foi mencionada: "Pois este Melchizedek, Rei de Salem, sacerdote de Deus Altíssimo, foi quem encontrou Abraão voltando da vitória sobre os reis, e o abençoou: a Quem até Abraão deu o dízimo de tudo; primeiramente sendo Rei da Justiça, e depois também Rei de Salem, que é o Rei da Paz; sem pai, sem mãe, sem descendência, nem início de Seus dias, nem fim de vida; mas semelhante em tudo ao Filho de Deus; permanece sacerdote eternamente. Agora considerai o quão grande era este Homem para que até o profeta Abraão Lhe desse a décima parte do espólio". (Hebreus, VII, 1-4)

    Há uma ciência, que também é uma arte, chamada Tipologia, na qual o Velho Testamento é expandido e explicado nos termos do Novo. No cumprimento integral do sacerdócio segundo a ordem de Melchizedek temos um exemplo significativo deste método de apresentação e elucidação de uma verdade profunda.

    O sacerdócio sem início e sem fim de Melchizedek emergindo do coração oculto do mistério é interpretado como um protótipo do Sacerdócio Eterno de Cristo. E sobre a Realeza de Melchizedek? Ele é mencionado como Rei da Justiça, que é um estado de concordância com Deus, e não será isso um verdadeiro modelo do Cristo, que é uma personificação da Salvação? Melchizedek também é dito ser o Rei da Paz e, como tal, não será isso próprio d´Aquele que concede-nos aquela paz que ultrapassa todo o entendimento?

    O matrimônio da Justiça com a Paz: não será este um prenúncio, uma visão do Reino Celeste sob a égide de Melchizedek-Cristo, Sacerdote e Rei, onde a Lei Divina é absoluta, e todos os pecados são perdoados se realmente nos arrependermos? Neste Reino Celeste toda ancestralidade humana é transcendida, pois nele não há "nem início de dias nem fim de vida", mas só o eterno AGORA, onde o homem assume "a semelhança dos Filhos de Deus".

    Existe uma outra similitude espantosa entre Melchizedek e Cristo. De acordo com o Gênesis sabemos que para Abraão Melchizedek mandou trazer pão e vinho. Aqui certamente, em seu exercício da função sacerdotal, há um prenúncio das coisas que virão, uma Aurora Dourada daquele dia pleno, que se torna em Cristo o Esplendor Meridiano da Revelação Suprema.

    Alguém dirá que pode mesmo ser verdade em tese que Cristo e Melchizedek sejam um e o mesmo, e que veio a Abraão naqueles dias antigos e o abençoou. Não é impossível, pois Cristo é Eterno, e não disse: "Antes que Abraão fosse, Eu Sou". (João VIII, 58) E disse também: "Vosso pai Abraão regozijou-se ao ver o Meu dia: e ele o viu e alegrou-se" (João VIII, 56).

    Em certa medida todos os homens são sacerdotes, pois todos em algum grau apresentam ou introduzem outros a Deus. A capacidade de fazer isso reside em nosso próprio conhecimento de Deus, na urgência de nosso desejo individual de conhecê-Lo melhor, e transmitir esse entusiasmo espiritual aos nossos companheiros.

    Tornar-se verdadeiramente um sacerdote segundo a ordem de Melchizedek envolve dedicar-se ao verdadeiro caminho da vida, requer uma visão da Perfeição Suprema e uma determinação de ir em direção àquela Perfeição com um entusiasmo intrépido e constante e sem permitir que nenhum laço terreno se interponha. Este é um ideal muito elevado e nobre, talvez um que poucos tenham a coragem de empreender e atingir, mas a alma sendo o que é, jamais será saciada com nada menos que a mais alta e nobre concepção de que é capaz de perceber e entender.

    Portanto temos diante de nós um desafio: somos todos potencialmente sacerdotes para sempre segundo a ordem de Melchizedek, e depende de nós, cada um de nós, aceitar esta responsabilidade e manifestá-la, ou rejeitar a oportunidade, em grande detrimento do mundo. Pois em cada um de nós há uma alma esperando para ser introduzida à amizade com Deus, mas no intuito de ser qualificada para esta apresentação, primeiro é necessário que nós O conheçamos por nós mesmos.

    Seguiremos, então, através daquelas estradas Reais da Justiça e da Paz, chegar à Vida Eterna, para que possamos conduzir outros até lá? A escolha está sempre diante de nós, seja para tomar a estrada mais fácil da estagnação e da negação que chega à escravidão e degradação, ou para reivindicar nossa herança divina e nossa dignidade real como regentes de nossa própria vida interior, pois ninguém pode nos ensinar até que, pelo menos em alguma medida, tenha aprendido a governar a si mesmo. Todas as lições do passado são inúteis a não ser que as atualizemos e apliquemos aos nossos assuntos imediatos.

    Em nossa natureza essencial somos todos sábios, amorosos, eficientes, mas devemos atualizar essas potencialidades observando os mais elevados modelos possíveis, e em Melchizedek-Cristo nós encontramos este perfeito modelo de Sacerdote e Rei. É nossa tarefa ouví-Lo, adorá-Lo e obedecê-Lo, e assim fazendo, passar à realização de nosso objetivo imortal como sacerdotes do Deus Altíssimo, como eternos sacerdotes, segundo a ordem de Melchizedek.

    Tradução: Ricardo Frantz
    Revisão: Rev.Pe.Osmar de Carvalho