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    A PÁSCOA

    Mui.Rev.C. W. Leadbeater

    (Este artigo é um extrato dos escritos do falecido Bispo Leadbeater sobre o tema pascal, publicados em seu livro O Lado Oculto dos Festivais Cristãos)

    A palavra Easter (Páscoa) é derivada de Eostre, que é o nome anglo-saxão da Deusa da Primavera; há uma outra derivação além desta, porque Eostre é uma outra forma de Ishtar, Ashtaroth ou Astarte, Rainha do Céu, e mesmo aquela, por sua vez, se recuarmos bastante, vem do sânscrito Ush, que significa luz, o nome de onde provém Ushas, as donzelas da Aurora, dos Vedas. Assim fundamentalmente Easter é o grande festival da luz - a volta da Luz do Mundo.

    Toda a simbologia de nossa evolução se concentra em torno da fonte e da origem desta evolução - a Deidade Solar, que na filosofia grega é chamada de Logos do nosso sistema. Logos significa Palavra, ou Verbo; é o termo grego usado no bem conhecido e belíssimo texto: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus". Tentemos entender um pouco do que estas palavras significavam para seu escritor. A moderna fé Cristã iniciou grandemente materialista e não-filosófica, principalmente por causa da sua infeliz e persistente confusão da personalíssima deidade tribal Judia, Jeová, com a Suprema Causa Primeira de tudo. Os que sustentam tal confusão ilógica pensam em Deus como um Pai, mas um Pai tirânico e selvagem, invejoso e cruel além de toda experiência terrena, caprichosamente criando um homem sadio e outro repleto de doridas enfermidades desde o nascimento, colocando um homem na pletora das riquezas e outro na mais áspera miséria, e capaz de arremessar ambos na tortura eterna após a morte se não violentarem o intelecto com o qual os favoreceu forçando-os a acreditar em certas histórias incríveis.

    É a mais cabal verdade que nenhum homem pode jamais compreender Deus; mas podemos ao menos formar uma concepção mais inteligente dEle do que esta, e o primeiro passo em direção a esta concepção é reconhecer que Ele tem muitas manifestações. Do Absoluto, do Infinito, do Onipresente, não podemos até agora saber nada, exceto que existe; não podemos falar nada que não seja uma limitação, e mesmo assim, inexata. Mas nEle há inumeráveis universos; em cada universo, milhões de sistemas solares. Cada sistema solar é a expressão de um poderoso Ser que denominamos Deidade Solar, o Logos, o Verbo ou expressão daquele Deus infinito. Esta Deidade Solar é para Seu sistema tudo o que o homem entende por Deus. Ele o permeia todo; não há nada que não esteja nEle; tudo o que podemos ver é uma manifestação dEle. Ainda assim Ele existe também acima e fora de tudo, vivendo uma vida própria estupenda entre Seus Pares. Como é dito em uma escritura mais antiga que nós mesmos: "Tendo penetrado este universo inteiro com um fragmento de Mim mesmo, Eu permaneço".

    De Si mesmo esta Deidade Solar chamou à vida este poderoso sistema. Nós que estamos nele somos fragmentos em evolução de Sua Vida, faíscas de Seu Fogo divino; dEle procedemos todos; a Ele todos retornaremos. Ele mergulhou a Si mesmo na matéria, e com isso sofre um verdadeiro eclipse, uma crucificação, uma morte, e então eleva-se novamente desta matéria a fim de que nós, humanidade, possamos existir. Toda a vida do sistema solar vem dEle, e por isso aqueles que desejam cumprir o que Ele planejou para nós, aqueles que querem tornar-se sábios, tornar-se Iniciados, devem seguir em Suas pegadas e desenvolver-se como Ele se desenvolveu. Todas as religiões antigas tomaram tais idéias e as modelaram em belos símbolos, diferindo conforme a religião, a raça e o povo; e aquele mesmo simbolismo que descreve a vida do Iniciado nos termos da vida do Deus-Sol, se encontra aqui em nossa Igreja Cristã, e é apresentado no decurso do Ano Cristão.

    A primeira metade deste Ano (do Advento e Natal até o Domingo da Trindade) é como se fosse a parte ativa da vida solar, a parte cheia de acontecimentos; e então os próximos seis meses são devotados à prática e à preservação do que aprendemos, de modo que passamos às águas comparativamente mais calmas dos Domingos após a Trindade, quando tudo transcorre muito placidamente, com grandes festas apenas ocasionais, nenhuma das quais conectada com a história da vida de Cristo, que também é parte da vida do Deus-Sol. Em todas as religiões semelhantes o Deus-Sol sempre nasce no meio do inverno, logo após o dia mais curto do ano (no hemisfério sul, este evento recai no dia mais longo do ano, na metade do verão - N. do Trad.), nascendo em 24 de dezembro, quando a constelação de Virgem está no horizonte. Por isso é dito que Ele nasceu da Virgem e mesmo depois do nascimento, quando o sol ascendeu aos céus, a Virgem permanece imaculada e celestialmente Virgem. Vemos aqui iluminada uma faceta da história da Imaculada Conceição, que aparece não apenas em nossa religião, mas em muitos outros credos.

    O Deus-Sol renasceu, porque o dia mais curto - no hemisfério norte - ficou para trás; durante meses os dias diminuíram sua duração gradativamente, como se Ele estivesse sendo vencido pelos poderes das trevas; mas agora essa diminuição foi revertida, e Ele inicia a reafirmação de Seus poderes, e a noite lentamente se retira de diante dEle. Ele ainda tem que passar pelas tribulações e tempestades do inverno; e é por isso que a fase inicial da vida do Deus-Sol em todas as religiões é sempre repleta de problemas e tristezas e dificuldades. Krishna muito sofreu com a perseguição e teve de esconder-se entre vaqueiros durante a infância, pois o Rei queria Sua vida; o Senhor Jesus foi perseguido por Herodes, que tentou assassiná-Lo; em todas as histórias da vida Crística em qualquer religião encontramos o mesmo padrão manifestando-se repetidamente. O próprio Osíris, milhares de anos antes, foi cortado em pedaços e destruído por Set, e só depois é que Ele foi recomposto e ressurgiu. No Egito Antigo o povo lamentava a morte de Osíris, assim como alguns Cristãos de hoje lamentam a morte de Cristo na Quinta-feira da Paixão, e rejubilam-se no grande festival de sua restauração, a re-união do que havia sido separado, do mesmo modo que rejubilamo-nos na Páscoa. Aquelas antigas religiões ensinavam as mesmas verdades que ensinamos hoje; a verdade é uma só, ainda que multifacetada, e suas aparências naqueles dias de antanho não divergem muito das representações de nosso tempo.

    Grandes são as tempestades e tribulações no inverno, mas o Deus-Sol sobrevive a todas, e Sua força cresce dia a dia do mesmo modo que os dias se alongam em direção ao equinócio de primavera. Como o nome indica, no equinócio dias e noites têm a mesma duração em todo o mundo (equi - igual; nox - noite: noite igual ao dia. N. do Trad.); após o equinócio o sol cruza a fronteira, de modo que no hemisfério norte os dias crescem paulatinamente, e a vitória do Deus-Sol está assegurada. Ele transpõe triunfante esse limite e ascende aos céus, amadurecendo a espiga e a uva, derramando Sua vida nelas para fazer sua substância, dando através delas Sua vida aos Seus devotos.

    Todos nós temos em troca que imitar o sofrimento simbolizado pela cruz; todos nós devemos aprender a nos doar inteiramente aos outros; mas também para cada um de nós está reservada a glória da Páscoa, a Ressurreição, a vitória, o triunfo sobre a matéria.

    Isso ainda permanece como uma verdade eterna e gloriosa. A vitória que o homem obtém sobre sua natureza inferior é algo que deve ser conquistado por todo o Cristão. Deve chegar em sua vida um momento em que ele finalmente triunfa sobre a matéria inferior e se ergue da sombra do pecado e da ignorância para a luz da sabedoria e da vida mais alta e pura. Assim a Páscoa não é somente a comemoração de algo no passado distante; é um dia de celebração real e de ação de graças pela vitória que o homem conquistou, conquista e conquistará ao longo de todas as eras sobre o que é inferior, o que é menos evoluído. Em cada um de nós vive uma faísca divina. Cristo disse: "Sois todos deuses, sois todos crianças do Altíssimo". Em cada um de nós esta faísca divina é o homem verdadeiro, e essa faísca se manifesta em planos mais densos como alma do homem, a qual então projeta-se ainda para mais abaixo como personalidade, que é o que conhecemos como eu aqui embaixo. Somos apenas um diminuto fragmento da magnífica realidade. O que tomamos como eu aqui é só a semente de nossa futura glória, mas cada um de nós também é uma alma; mais que isso, cada um é espírito - a faísca divina, lenta, lentamente se desvelando, lentamente desenvolvendo as qualidades através das quais ela pode expressar a si mesma, de modo que o homem possa conhecê-la como de fato é. No presente a faísca brilha tênue; no presente estamos só no início da parte mais alta de nossa evolução. Já obtivemos grande vitória aparecendo hoje como homens, tendo ultrapassado todos os estágios inferiores, os reinos mineral, vegetal, animal, em idades muitíssimo remotas. Alcançamos a humanidade, nos unimos ao Pai e desenvolvemos a alma; mas esta alma deve ainda crescer e se expandir. Assim como a personalidade deve se unificar com a alma, a alma por sua vez deve se unificar com a faísca divina que representa, e mais tarde ainda a faísca mergulhará na Chama da qual é parte, e Deus será Todo em Todos.

    Cada estágio desse progresso é uma vitória; cada estágio desse progresso é verdadeiramente uma ressurreição, uma elevação do inferior para o superior. A vida do Cristo é um protótipo da vida de cada um de seus seguidores. Nós também passaremos através desses estágios, esses degraus, essas Iniciações pelas quais Cristo passou. Sofreremos com Ele toda a dor e a tristeza da Paixão, uma crucificação real de tudo o que lhe pareceu digno possuir; mas aquele que permanece até o fim, aquele que atravessa todos os testes como cumpre atravessar, para este a glória da Páscoa será revelada, e igualmente obterá a vitória que fará de si mais que homem, que o elevará ao nível do Cristo Espírito. Essa vitória é para todos nós, e quando agradecemos a Deus pelo festival da Páscoa, estamos agradecendo-Lhe esta grandiosa possibilidade, e também pelo fato de que há muitos mesmo agora que a realizaram, mostrando-nos que é acessível a cada um de nós. Temo que às vezes o exemplo dos grandes santos e dos poderosos Anjos, quando apresentado diante de nós, possa fazer com que pareça inalcançável, impossível. Talvez sintamos: "Sim, é tudo muito bom quando se alcança o topo; mas que será de nós, que vemos tamanha distância à frente, tantas eras além?" Porém todos os que podem ver os degraus superiores, todos os que podem ver as etapas da estrada da vida acima e abaixo de nós, concordam em nos dizer que vêem homens em todas as fases de evolução, e os que nos parecem deuses em seu conhecimento e poder nos falam que não muito tempo atrás estavam onde estamos, e que nós, se perseverarmos, logo nos acharemos, sem sombra de dúvida ou temor, onde eles estão agora.

    "Se Cristo ressurgiu, então também ressurgiremos" era o argumento dos antigos, e de fato é verdade, verdade em muitos diferentes aspectos; e de modo algum menos em relação ao símbolo de que falei.

    Porque Ele conquistou o mal, porque Ele ressurgiu da matéria, outros se tornaram capazes de segui-Lo e fazer o mesmo grande voto; e porque eles o fizeram, nós também o faremos. Páscoa significa uma realidade magnificente para cada um de nós, da mesma maneira que significou para Ele. No Natal nós cantamos não só a vitória do nascimento de Cristo (mesmo em uma de suas muitas formas simbólicas); mas também cantamos uma possibilidade pessoal. Não é uma figura de linguagem quando dizemos: "Junto de nós nasceu uma criança, a nós um Filho foi dado". A possibilidade existe para nós, para cada um de nós, e deveríamos sentir que com a glória da ressurreição na Páscoa, o poderoso triunfo do bem sobre o mal é uma realidade absoluta e factual para todo indivíduo. Não uma coisa perdida na distância, que pode ou não refletir sua glória sobre nós, mas um passo definido e real que cada indivíduo aqui e em toda parte dará no futuro, algo verdadeiro que podemos colocar diante de nós com a certeza de que o podemos alcançar.

    Alguns conseguirão comparativamente cedo; outros ascenderão mais devagar; isso está em cada um. Podemos apressar ou retardar nossa jornada para aquela meta gloriosa, mas não nos poderemos evadir da trilha para sempre. Não podemos evitar nossa vitoriosa realização final, façamos o que quer que seja. Há homens que são o que chamamos de maus, o que significa que eles se desviaram bastante do caminho direto para Deus. São maus porque são tolos e ignorantes, porque não entendem, mas por mais longe que se tenham perdido da grande estrada, eles voltarão a ela, pois é isso o que Deus planeja para eles desde o início. Eles podem voltar suas costas à luz; podem atrasar seu progresso, mas a pressão daquela definitiva Vontade os reconduzirá à senda cedo ou tarde, e aqueles que hoje ignoram aprenderão a verdade de Deus. Eles são os que se sentam à sombra, enquanto a luz brilha sobre suas cabeças; eles são os que se sentem hoje no Jardim do Getsêmani; eles são os que sofrem uma verdadeira crucificação - mas para eles também virá a glória da vitória Pascal, o triunfo completo do bem sobre o mal.

    Em Sua Ressurreição está o mais verdadeiro de nós. Porque o próprio Logos entrou na matéria, triunfou, e sobrepujou-a; porque o Cristo, o grande Mestre do Mundo, também atravessou tal experiência, é certo para cada um de nós que, quando chegar o tempo de suportarmos tal sofrimento e tal crucificação, ela nos conduzirá, como O conduziu, à glória maior da ressurreição e ao triunfo definitivo - um triunfo que é definitivo porque se fundamenta no conhecimento. O Iniciado conhece aquilo em que crê; e a matéria não pode jamais conquistar quem sabe o que ele sabe, matéria e espírito unidos, igualmente partes de Deus, e igualmente incluídos no plano divino que nos conduz a essa vitória gloriosa. Pois a vitória se tornará una com Ele - una com Aquele que é Tudo em Tudo. É uma vitória eterna; é uma vitória para sempre; doravante não cabe mais dúvida ou hesitação, porque quando somos um com Ele nós sabemos. Então seremos como Ele, porque o veremos como Ele é; porque realmente saberemos, não poderemos cair novamente.

    Podemos ou não levar em conta a alegoria bíblica que nos é lida na Páscoa representando um evento histórico no plano físico; nosso povo é inteiramente livre para crer ou descrer; mas a maioria de nós reconhece que isso incorpora em traje simbólico uma verdade magna e poderosa. Doravante a Páscoa será para nós uma festa gloriosa; doravante teremos verdadeira alegria trocando entre nós os velhos cumprimentos pascais. Pois assim como no Dia de Natal desejamo-nos um Feliz Natal, também quando os antigos Cristãos se encontravam no Dia de Páscoa diziam um ao outro: "O Senhor ressuscitou", e a resposta vinha: "Em verdade ressuscitou". Não de uma tumba terrena, mas do túmulo da matéria; ressuscitado em uma realidade esplêndida - ressuscitado para sempre. Desse modo em Sua vitória triunfamos junto, e na alegria do Senhor Sua Igreja também rejubila.

    Tradução: Ricardo Frantz