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    O LADO INTERNO DO CULTO NA IGREJA CRISTÃ

    Uma oferenda do Altar da Fé Cristã por

    GEOFFREY HODSON
    Sacerdote da Igreja Católica Liberal

    Traduzido por Carmem Penteado Piza

    São Paulo - SP - Brasil - 1965

    ÍNDICE


    PRÓLOGO
    CAPÍTULO I - A NATUREZA E PROPÓSITO DE UMA IGREJA
    CAPÍTULO II - O SERVIÇO DOS ANJOS
    CAPÍTULO III - REFLEXÕES SOBRE O CULTO DA IGREJA
    CAPÍTULO IV - UMA CONGREGAÇÃO INVISÍVEL
    CAPÍTULO V - SERVIÇO DE CURA
    CAPÍTULO VI - A MISSA


    PRÓLOGO
    Os Cristãos Católicos pretendem que, com seu triplo ministério de descendência espiritual por ordenação sacerdotal desde os primeiros Apóstolos de Nosso Senhor, com os seus sete sacramentos ou meios de graça, e seu esmerado cerimonial, a Igreja é uma Sociedade Divina. Quer dizer: é uma comunidade animada pela vida do Próprio Senhor; ou modificando a metáfora sem de modo algum alterar-lhe o sentido, é um instrumento, uma peça de intrincado mecanismo, por meio do qual a graça ou bênção espiritual desce do alto e é amplamente distribuída pelos povos do Senhor "encarcerados no corpo", neste mundo.

    Esta é, sem dúvida, uma pretensão elevada e única; com efeito, parece não existir outra sociedade ou organização no mundo que alente tal pretensão. Todavia a Igreja Católica a alenta destemidamente, e há cerca de dois mil anos.

    Vale a pena examinar as bases de tal pretensão. Quais eram os fundamentos em que os Cristãos Católicos durante tanto tempo ousaram afirmar, e ainda afirmam, ser a sua Igreja uma Sociedade Divina? Resumem-se em três. Primeiro, a tradição. Desde os primórdios, a crença de que o Senhor se dá ao Seu povo em Sua Igreja pela operação do Espírito Santo tem sido sustentada pelos Cristãos Católicos e transmitida de geração em geração. Esta é a tradição da Igreja. Em seguida há a experiência dos próprios Católicos. Durante uns dois mil anos, os Cristãos têm "sentido" a presença. de seu Senhor em seus sacramentos, em seus cultos e em todos os mais sagrados momentos em suas igrejas. Este sentimento nada tem a haver com o exercício de qualquer dos cinco sentidos. Não pode ser descrito nem explicado, mas constitui um fato para aqueles que conhecem a experiência.

    Complementando a tradição e a experiência, há ainda um terceiro fundamento ou base para a pretensão, que até agora tem sido reconhecido como o fundamento legítimo, para a crença, em larga escala, apenas por membros da Igreja Católica Liberal; essa terceira base é a revelação resultante da investigação e pesquisa clarividentes. Há pessoas no mundo, apenas umas poucas ainda, que têm treinado suas faculdades e podem perceber aquilo que é oculto às pessoas comuns. Usando estes meios extensivos de percepção, alguns investigadores se habilitaram a verificar o que a igreja tem afirmado, isto é, que a vida de seus sacramentos procede de fato do próprio Senhor e além disso que, no trabalho de distribuição de Sua graça, os sacerdotes oficiantes e os devotos tem como cooperadores hostes de seres angélicos.

    São estes os três fundamentos da crença, nos quais os Cristãos Católicos baseiam suas tremendas vindicações para a sua Igreja. Qualquer um deles, sem o auxilio dos outros dois, pode ser considerado como base insuficiente para uma tal pretensão. A tradição pode extraviar-se neste assunto, como já tem se extraviado em outros, mesmo num período de mais de dois mil anos. Na experiência interna, nem sempre se pode confiar, mesmo quando milhares de pessoas durante um período de centenas de anos testemunham a mesma experiência; a precaução é ainda necessária, porque a experiência pode e às vezes faz cometer estranhos enganos. As pesquisas ocultas podem muito facilmente falhar, pois é um método de investigação relativamente novo e os investigadores são tão poucos que não podem comparar os informes em grande escala, e assim verificar e confirmar entre si os resultados. Assim, estas, isoladamente, não menos que a tradição ou a experiência separadas, podem ser tomadas como fundamentos suficientemente substanciais para suportar o peso da tremenda pretensão dos Cristãos em relação à sua Igreja Católica. Mas, reunidos os três, fortalecidos o complementadas entre si, formam uma base muito substancial que não pode facilmente ser demolida.

    A importância deste livro está em proporcionar aos crentes católicos exatamente este terceiro fundamento de sua crença, fundamento que, se puderem reconhecer seu valor, fortalecerá os seus próprios fundamentos. De um ângulo completamente inesperado provê este forte apoio à pretensão católica. Investigadores clarividentes, como o Senhor Geoffrey Hodson, vêem efetivamente as coisas grandiosas que os Católicos somente crêem. Certamente, não podem prová-lo, tanto quanto os católicos tradicionais não podem provar suas próprias experiências sobre a realidade de seus sacramentos, mas é seguramente uma robusta prova adicional de que as crenças dos católicos estão bem fundamentadas.

    Depois do Bispo C.W.Leadbeater, cujo livro A Ciência dos Sacramentos, embora muitíssimo pouco conhecido atualmente, tende a tornar-se clássico em matéria de pesquisas ocultas, o senhor Hodson é, neste campo particular, o investigador mais autorizado e certamente o não menos devocional. Nas páginas que se seguem, ele descreve o que tem visto clarividentemente, como nos capítulos II, IV, V e VI, e faz úteis sugestões para os membros das igrejas e os devotos, nos capítulos I e III. Tais sugestões por si só são suficientemente valiosas, porém o serão muito mais desde que apoiadas pelos conhecimentos adquiridos pelo método clarividente e oferecidas com verdadeiro espírito devocional.

    Assim, pois, por seu incontestável valor, seu interesse geral e seu espírito devocional, o livro é digno da mais destacada recomendação. Não posso desejar-lhe maior conquista do que a que o próprio autor lhe deseja, isto é, que possa fortalecer as vindicações dos cristãos católicos para a Sua Igreja, e os auxilie mais depressa a tornar permanente a união com o seu Senhor, que em corto grau experimentam em toda Eucaristia.

    20 Gordon Street Londres, W.C.I.
    6 de setembro de 1929
    F.W.PIGOTT


    CAPÍTULO I
    A NATUREZA E PROPÓSITO
    DE UMA IGREJA

    Está é uma das maiores questões que hoje concerne à natureza, valia e utilidade da Igreja como uma instituição. Toda a posição da Igreja está sendo desafiada por vários instrutores e pensadores avançados, e particularmente pelas novas gerações. Tendo o autor observado este fato, procurou, através da meditação obter um conhecimento mais profundo da significação e propósito da Igreja.

    Enquanto ponderava esta questão, mergulhou num rigoroso estudo, em que se apercebeu da presença e atenção do um anjo que parecia estar bem a par da natureza de suas especulações e também desejoso de auxiliá-lo na solução do problema que lhe prendia os pensamentos. Ocorreu uma íntima união mental, na qual o anjo parecia compreender perfeitamente as necessidades do autor e convidá-lo a compartilhar o ponto de vista angélico e de conhecimentos mais amplos referentes ao assunto de sua meditação. Estes conhecimentos pareciam fluir na mente e cérebro do autor em termos de idéias e mesmo de linguagem. No capítulo seguinte tenta ele registrar e compartilhar com os leitores os resultadas desta ministração angélica.

    Uma igreja é um centro magnético estabelecido num determinado ponto da superfície do globo, no qual condições especiais foram criadas para permitir a livre passagem de força, vida e consciência do nível espiritual para o material, e do material, de volta, para o espiritual.

    Idealmente, toda pessoa deveria prover dentro de si próprio estas condições, porém no presente estágio de evolução humana, só aqueles que se adiantaram bastante à sua raça estão aptos para alcançar este fim. O ideal diante de cada devoto é que, eximindo-se da necessidade de uma igreja externa, possa ele tornar-se uma igreja em miniatura, levando a força, a vida e a consciência de Deus para o homem, e o amor, a adoração e o cultos e serviço do homem para Deus. Até que este ideal seja atingido, igrejas, templos e mesquitas parecem ser necessários como canais para os benefícios vertidos do Supremo Pai aos Seus filhos que jornadeiam em sua longa peregrinação aqui na terra.

    O estabelecimento de um centro magnético e espiritual como o de uma Igreja, reduz grandemente a resistência ao fluxo de força espiritual do alto, e possibilita a presença e serviço dos santos anjos. Eles encontram ali um ambiente harmonioso, no qual são protegidos das vibrações normais da vida humana comum.

    Quatro grandes correntes de força fluem para o interior e através de uma igreja adequadamente consagrada. Emanam em primeiro lugar, da Hierarquia humana e super-humana, conhecida por nós como a Grande Fraternidade Branca de Adeptos [A Comunhão dos Santos] cada membro da qual é um canal para a influência dos três aspectos da Santíssima Trindade; em segundo lugar, das hierarquias angélicas, diretamente ligadas aos Sete Espíritos ante o Trono, e ao aspecto angélico de Deus, o Próprio Logos [Verbo Divino]; em terceiro lugar, do centro da terra; e em quarto lugar, do Sol. Estas quatro correntes reúnem-se na igreja, cada qual contribuindo com sua influência particular, e todas são utilizadas pelo Senhor Cristo, que as combina na mais gloriosa perfeição de que Ele é capaz e as converte num único instrumento para o trabalho especial que Ele executa para o mundo, através da fé cristã.

    Sobre o trabalho da Grande Fraternidade Branca e do augusto Oficiante que é o Supremo Senhor de todas as religiões, muito se tem escrito algures. Das forças da Terra e do Sol, pouco ainda se sabe, porém das hostes angélicas se pode dizer que são os agentes e diretores inteligentes de todas as forças que a Igreja emprega. Estas forças são visíveis para eles, e o método de seu progresso evolucionário é tal que lhes é natural dirigir forças superfísicas e construir formas superfísicas, como o é para os homens habitar corpos físicos e manejar matéria física.

    Contudo, não devem os anjos ser considerados como totalmente separados das forças que controlam; eles corporificam o tipo de energia com a qual trabalham. Influenciam estas forças, que fluem de dentro para fora, transformando uma força relativamente ininteligente em força inteligente. Tão aptos são neste trabalho, que em suas mãos toda a corrente de força que manipulam, se torna numa expressão inteligente e consciente da mente dos anjos. Em outras palavras, eles são a alma das forças com as quais lidam, de forma que sua própria e vívida inteligência as penetra e governa todos os resultados que elas produzem. Isto dá às energias fluentes uma coesão e adaptabilidade que quase equivalem a auto-consciência na seleção dos melhores canais e melhores métodos de atingir os resultados desejados.

    Os anjos trabalham desta forma em todo o sistema solar; são ativos em todos os reinos da Natureza, em cada um dos quatro elementos; terra, ar, fogo e água; estão presentes no Sol e em todos os seus planetas, percorrendo livremente vastos campos de espaço interplanetário.

    Do ponto de vasta angélico, a igreja é um sistema solar em miniatura. Nela, as forças espirituais por detrás do sistema solar se manifestam num estado de alta concentração através do Senhor Cristo, que deste ponto de vista, representa o Sol. Os poderosos Seres que compõem a Grande Fraternidade Branca representam os planetas superfísicos, enquanto que os membros da hierarquia física da Igreja podem ser considerados como os planetas físicos. As paredes, pavimento e o teto do edifício formam a órbita intransponível das forças construtoras. O anjo e os espíritos da natureza servidores da Igreja, e a congregação, representam as raças angélica e humana, que lado a lado, estão utilizando o sistema solar como um campo de evolução.

    O propósito da existência deste microcosmo eclesiástico é precisamente o do macrocosmo, isto é, a evolução de seus habitantes até um determinado padrão de perfeição. Na Igreja esse padrão é "a medida da estatura da plenitude de Cristo". do qual o Nosso Senhor é o mais perfeito e resplendente exemplo. Os processes pelos quais o padrão é atingido são idênticos dentro e fora da Igreja, porém quanto mais altamente concentradas forem as forças de dentro, tanto mais rapidamente se poderá atingir o padrão. Todo adorador é um Cristo em potencial, e o grande propósito de todo o sistema da Igreja com suas várias e convergentes correntes de força, vida e consciência, é acelerar o Cristo, no adorador, até a sua perfeita e plena manifestação.

    Como o sistema solar é parte de um universo, e o universo, por sua vez, parte do Cosmos, assim uma igreja isoladamente é parte da Igreja Universal, que inclui primariamente todas as outras instituições religiosas, e secundariamente, todos os estabelecimentos religiosos de qualquer crença, existentes neste planeta. Esta igreja universal na terra é, a seu turno, parte de um mais amplo trabalho religioso para o sistema solar. Este princípio pode-se estender indefinidamente, de sistemas solares a universais e de universos a cosmos. Mercê de suas mais amplas aplicações, pode-se compreender a unidade de todos os departamentos e seitas da fé cristã, bem como a unidade de todas as suas múltiplas expressões nos diferentes mundos.

    Como membros da igreja, bem podemos recordar-nos desta unidade e esforçar-nos por expandir nossa consciência além dos limites de nossa própria Igreja, religião ou mesmo planeta, para uma realização daquele aspecto da força de Deus que jaz atrás de todos os trabalhos religiosos, em todo o Seu sistema. Tal expansão é do mais alto valor, pois cada um que a atinge por esse meio se torna um canal mais eficiente da força e vida de Deus, que é função da religião verter em todo o mundo.

    As atividades religiosas nos diferentes planetas do sistema exercem uma influência aceleradora em toda a vida neles evolucionante. Servem de meios adicionais de expressão da força, presença e consciência de Deus, que primariamente se manifesta como a divina imanência através de todo o sistema selar e secundariamente dentro de cada ser consciente e senciente em todos os reinos da Natureza.

    A Igreja pode ser também encarada como propiciando um sistema organizado por meio do qual se pode mais prontamente pôr-se em contato com a força divina e liberá-la.

    Uma igreja individual é, portanto, com muito mais propriedade denominada a Casa de Deus, porque Sua Força, Sua Consciência e Sua Presença nela se manifestam de uma forma especialmente concentrada.

    Podemos também encarar a Igreja universal como um corpo no qual Deus está encarnado. Os seres humanos e os anjos são células desse corpo, e cada igreja individual é um membro (1), ou um órgão. O Senhor Mundial de um planeta [Cristo, O Instrutor do Mundo] serve a Deus como um poderoso centro de força, através do qual Sua força atinge os órgãos e as células. Em Sua manifestação, como fundador de uma religião, Ele age como o coração através do qual a vida e amor de Deus são espargidos sobre esse mundo.

    O lugar dos anjos neste sistema será prontamente reconhecido e compreendido por aqueles que conheçam seu lugar e função no sistema solar, como um todo. São eles os condutores da vida-força do Logos [Verbo, em grego]. Em toda a parte, onde Sua vida (2), Seu poder, Sua consciência se manifestam, os anjos servem como agentes ativos das energias pelas quais tais atributos são expressos. São seres de força, antes que de matéria, mais como expressões da divina consciência que de seções, ou mônadas, daquela consciência corporificada em forma material. Como vimos, estão unificados com as forças que dirigem e são capazes de manipulá-las do seu interior.

    (1) Anatômico. (2) Vide o livro do autor: As Hostes Angélicas.

    As correntes de força fluem tão livremente através de seus corpos que freqüentemente quase desaparece a distinção entre o anjo e a força da qual é o agente. Esta associação e identificação íntimas com a força tornam o anjo apto a controlá-la e dirigi-la com grande precisão e perfeição.

    Toda a hierarquia angélica, desde o menor dos espíritos da natureza até o mais alto arcanjo solar, servem o Logos desta maneira, em todos os departamentos de Sua atividade e nos Seus mundos manifestados. Uma seção especial da hierarquia angélica está relacionada quase que exclusivamente com a religião, e os Senhores do Mundo, dos vários planetas, recrutam largamente Seus anjos servidores e ministros desta seção. Nosso Senhor [O Cristo, o Instrutor do Mundo] tem a Sua disposição grandes hostes de anjos da religião que Ele emprega em Seu planeta de maneira análoga à que o Logos emprega toda a hierarquia angélica através do sistema solar.

    Como a Igreja universal pode ser encarada como a reprodução, em um único planeta, de determinados aspectos do sistema solar, assim também uma igreja individual é um sistema solar, em miniatura. As forças estão concentradas nela, e são isoladas do mundo externo pelo ato da consagração. As grandes correntes de força que encontram expressão em todo edifício religioso consagrado, podem ser subdivididas como segue

    a) A força de cada um dos Três Aspectos da Trindade.

    b) O aspecto especial de Deus que se manifesta através do sol. O Segundo Aspecto da Santíssima Trindade parece predominar aqui.

    c) Uma medida de Sua Força como Ele manifesta em e através da Terra.

    Isto pertence mais particularmente ao Terceiro Aspecto. Sobe do interior da terra, como caudais ou correntes de força, e encontra a força que desce do sol. Estas duas correntes são solicitadas e encontram-se em cada igreja consagrada; elas fornecem a força essencial, ou "carga" de energia, por meio da qual o mecanismo de culto da igreja se torna capaz de real serviço.

    d) A força da Grande Fraternidade Branca.

    O departamento de ensino, com seu augusto Chefe, o Senhor do Mundo, parece fornecer grande parte desta força, pois os Chefes de cada um dos sete raios estão também representados.

    e) A influência do Mestre Jesus, como o Adepto encarregado da Igreja Cristã.

    f) A força e presença de determinadas ordens de anjos, mais particularmente os que trabalham no primeiro, segundo e sétimo raios.

    Todos os sete raios estão representados na hierarquia angélica, e contribuem para o trabalho da igreja, porém estes três predominam.

    g) A força na retaguarda da tradição do templo e culto da igreja, neste planeta.

    Com referência a este último, pode-se dizer que o método da igreja ou templo para a aproximação de Deus, foi instituído nos primórdios da vida humana neste planeta, pelos Grandes Senhores de Vênus, que foram denominados os Senhores da Chama. Eles ensinaram a infantil humanidade a aproximar-se do trono de Deus por meio de ritos sagrados, danças, gestos e movimentos ritmados e pelo uso da música, palavras e símbolos.

    Nas primitivas religiões da terra, o Sol era encarado como a manifestação física de Deus. O culto ao Sol existiu em todas as idades de desenvolvimento Humano e muitos traços são ainda encontrados no lado oculto da Cristandade. Um reservatório de força foi colocado a disposição dos primeiros adoradores na Terra. Como todos os serviços e rituais religiosas têm sido adicionados ou extraídos desse reservatório original, desde aquela data até hoje sua força é extremamente rica e variada. Todas as grandes civilizações, desde os Lemurianos e Atlantes, até hoje, contribuíram, e desta forma comunicaram a vibração específica e a característica de sua raça e época. A religião cristã foi colocada por seus Fundadores na linha direta daquela tradição e vinculada ao reservatório de força que a ampara. Este reservatório pode ser imaginado como uma síntese do poder e de todas as religiões que já tiveram existência neste planeta.

    Estes sete tipos de poder, juntamente com as suas inteligências apropriadas ou "estado maior", estão representados na igreja consagrada, a qual, como foi dito, pode ser considerada como um microcosmo, do qual o Próprio Senhor Cristo é o Sol. Ele brilha sobre o Seu sistema através da Hóstia, através do Anjo da Presença e através de Seus Sacerdotes. A congregação são os habitantes do sistema, que são as sementes plantadas no campo evolucionário. O Senhor brilha sobre as sementes, a fim de crescerem a imagem de Sua perfeição. Os serviços da Igreja lhe propiciam oportunidades especiais para espargir Sua Vida e de utilizar as diversas correntes de energia colocadas à Sua disposição.

    Podemos ver, pois, que a razão da existência da Igreja, com os seus maravilhosos sistemas de forças e presenças humanas e angélicas, é prover uma usina em que se possa acelerar a evolução tanto do homem como do anjo. A Igreja, o adorador e o objeto de adoração, em contato direto entre si, criando condições especiais que possibilitem esse encontro; ela também oferece assistência ao adorador, em sua aproximação dos pés de seu Senhor.

    Este auxílio relativamente externo a comunhão também visa satisfazer os devotos sedentos de direta união interior com Deus. Este anseio se tornará finalmente tão forte e insistente, que o adorador será levado a procurar união, primeiro com Deus dentro de si, e depois com o Logos, de quem o seu próprio Deus interno [A Alma ou Eu Superior] é parte inerente.

    Esta grande consumação é o objetivo de toda religião. O culto, preces e adoração servem para colocar tanto o homem como o anjo cada vez mais próximos do celestial trono de Deus, bem como propiciar canais para o derrame de Sua bênção e Sua graça no coração e mente daqueles que se aproximam d'Ele. Conquanto esperemos que um crescente número de pessoas superará a necessidade do auxílio especial que a Igreja propicia, não é menos evidente que a grande maioria da humanidade continuará a necessitar desse auxílio por muitas idades vindouras. Os serviços da Igreja tornar-se-ão, sem dúvida, mais ricos em força e mais belos em expressão. Os clérigos e congregações tornar-se-ão cada vez mais auto-conscientes em suas respostas a essa força e beleza. A fé tornar-se-á cada vez menos cega e cada vez mais baseada na experiência e conhecimentos diretos.

    Aparecerão continuamente Homens que, auxiliados pelas ministrações da Igreja, se emanciparão da necessidade de todo apoio espiritual externo complementar. Com efeito, o valor de uma religião pode ser talvez medido tanto pelo número de homens que são assim libertados por seu auxílio e recrutados para a Comunhão dos Santos, como pelos seus efeitos gerais sobre a sua raça e época.

    A contribuição que a religião, organizada ou não, dá ao bem-estar e progresso evolucionário da raça humana, não pode ser medida por nenhum padrão humano. Provavelmente, é porque a força e a bênção da Igreja são relativamente invisíveis e intangíveis que e seu valor como instituição é posto em dúvida e atacado. Seus atacantes são na maioria aqueles que não possuem o grau de sensibilidade e capacidade de ressonância espiritual, que os capacitem a se aperceber do valor das ministrações da Igreja. Não logrando perceber nem apreciar, negam. Apesar disso, em épocas de profundo sofrimento e necessidades, é ainda à religião que a maioria dos homens recorre.

    Conclui-se, portanto, que a Igreja perdurará, a despeito do desafio dos tempos.

     

    CAPÍTULO II
    O SERVIÇO DOS ANJOS

    Enquanto meditava sobre o papel especial dos anjos na Igreja., o autor se viu em presença do uma vasta corte de anjos pairando no ar, acima de uma grande catedral. Do meio deles contemplou a majestosa procissão de padres e coroinhas, aproximando-se do presbitério. À medida que tomavam seus lugares, os anjos que os rodeavam desciam para dentro da igreja. Alguns deles permaneciam no ar, na grande cúpula, por cima do altar, muitos tomavam seus lugares ao lado do padre, perto do organista, e em meio do coral, enquanto que os demais se aproximavam dos fiéis.

    À medida, que a celebração se processava e desciam do alto as respostas às orações dos fiéis, os anjos as recebiam e esforçavam-se por levá-las aos seus destinos. Enquanto trabalhavam nisto, o autor viu quão freqüentemente falhavam pois dificilmente os da congregação estavam atentos ao maravilhoso espargir da graça que haviam invocado. Enquanto observava um dos anjos, como que falando às almas dos fiéis humanos, começou a explicar o trabalho de seus irmãos na Igreja, como segue:

    "Há uma ordem de anjos ligados a Igreja Cristã, que, estando dedicados ao serviço de Cristo e servindo como canais e conservadores de Sua benção e Seu poder, assistem a todos os serviços feitos em Seu nome. Cheios de Seu amor e compaixão, procuram levar aquelas dádivas sem preço às almas dos homens; na grande celebração do mistério do pão e do vinho, eles se apresentam, para que toda alma sedenta receba segundo as suas necessidades. Os homens nada sabem deles nem os vêem, e assim os servidores angélicos passam despercebidos e desconhecidos. Na religião do futuro eles emergirão de sua invisibilidade e os homens os verão, face a face. Entre a presente cegueira e o futuro conhecimento há um grande abismo, que somente aqueles que foram instruídos nas verdades mais profundas da religião e da vida podem transpor.

    "A eterna e imutável sabedoria das idades é a fonte de todas as grandes religiões do mundo; os anjos tiveram a sua parte na fundação de cada uma delas. Através dos séculos eles têm permanecido como testemunhas e guardiães vivos do poder que o Fundador da religião outorgou aos Seus seguidores.

    "A nova religião já está nascendo, e como na antiguidade a hoste dos anjos acompanha o seu Fundador, em Sua grande missão para o mundo. É parte de Seu plano que não mais continuem ignorados e que os filhos dos homens que responderem ao Seu chamado e O servirem quando Ele vier, aprendam a conhecer Seus mensageiros angélicos e a utilizar a sua presença e poder para a execução de Seu labor na terra. Poucos os verão com seus olhos terrestres, porém todos podem abrir seus corações e mentes a eles, invocar a sua presença e saudá-los quando trabalham pela causa comum.

    "Ao entrardes numa igreja estais em presença das hostes angélicas; volvei vossos pensamentos para eles, portanto, convidando-os a compartilhar de vosso culto e louvor a Ele, que é o Instrutor dos anjos e dos homens. Afastai a mente dos problemas materiais, a fim de que se torne alerta, atenta, e vívida às forças mais sutis dos serviços da igreja. Esforçai-vos por exaltar vossa consciência ao reconhecimento do esplendor e beleza das respostas de Deus às nossas preces para que possais reverenciá-Lo mais profundamente.

    "A presença de Seu Filho [o segundo aspecto da trindade] em vossos altares irradia uma infinidade de amor, e está ansioso por aproximar a vós, cada vez mais de Seu coração. Seu anjos vigiam, esperançosos de que sentireis o Seu anseio, e pondo de lado a auto-centralização, separatividade e orgulho de que tantos estão imbuídos, vos ajoelhareis a Seus pés, desapegados de tudo que possa afastar-vos d'Ele. Eles anseiam ajudar-vos neste difícil despojamento, porém mui freqüentemente encontram as mente e os corações enclausurados em pensamentos acerca do eu [a personalidade mortal]. A alma humana está tão cega, que muitos saem da presença do divino e perfeito amor sem nunca perceber o esplendor no meio deles.

    "Acordai, oh irmãos humanos, e dai ao vosso culto uma profunda realidade. Com todas as forças de vosso ser, expandi o amor de vossos corações em resposta aquele amor, tão poderoso e tão terno, com o qual estende Seus braços até vós. Não percebeis o privilégio, a esplêndida oportunidade, que é vossa, de que, diariamente, através de Sua divina compaixão, podeis ser envolvidos no abraço de Seu mais perfeito amor? Contudo, semanas após semanas, vossas igrejas estão vazias, salvo para uns poucos fiéis. Como pode haver tão cega ingratidão na presença de uma tão altruísta difusão de amor?

    "Se o abismo entre o passado e o futuro tem de ser transposto, a religião precisa tornar-se real; Cristo e Seus anjos devem ser conhecidos como verdades viventes, como realidades impagáveis, e o culto precisa ser repleto de alegria. Os "milhares de altares" de Sua fé precisam ser encarados com reverência e respeito. A vida e conduta humanas devem tornar-se dignas do privilégio, tão inexprimivelmente grandioso, daquela Presença constante em seu meio. Cada dia deve certamente tornar-se um dia santo, cada hora uma hora santa, devido ao conhecimento de Sua divina companhia.

    "Então a raça humana encaminhar-se-á para o ciclo seguinte da poderosa espiral de sua senda evolucionária. A medida que os homens progridem os anjos marcharão ao seu lado, entoando canções de beleza e alegria celestiais."


    CAPÍTULO III
    REFLEXÕES SOBRE O
    CULTO DA IGREJA
    I - O TRABALHO DA CONGREGAÇÃO

    Um estudo de muitos problemas nacionais e internacionais que estão clamando por solução as nações do mundo, quase que inevitavelmente nos conduz a conclusão de que suas soluções repousam na vida espiritual dos indivíduos que as compõem. O estudante vê-se forçado a olhar a religião, não somente para a preservação da atual civilização, mas também para orientação na construção da civilização seguinte.

    Em todo o departamento de vida humana se clama por espiritualidade e pela espiritualização da vida e conduta humanas. Por falhos que sejam os atuais sistemas de governo nacional e internacional, todos eles poderiam provavelmente trabalhar com perfeição se os homens e mulheres responsáveis pela sua administração estivessem possuídos de ideais espirituais. Não é tanto a lei que necessita ser alterada, mas, sim, as pessoas que administram a lei. A única maneira pela qual o coração e a mente das pessoas podem ser modificadas é a religião, e por religião, encaramos naturalmente em primeiro lugar a Igreja.

    Se aceitarmos este ponto de vista, a Igreja precisa ser encarada como o mais poderoso agente para o bem na vida de uma nação - o maior acervo da nação - e seu trabalho como de suprema importância para cada membro da raça. A missão da Igreja precisa ser encarada não mais como limitada à realização de um certo número de cerimônias em determinados dias, mas antes para o estabelecimento em toda parte de centros espirituais, cujo poder e bênção iluminarão e enriquecerão a vida nacional, inspirarão todo trabalho bom e influenciarão incessantemente no sentido da espiritualização da humanidade. A Igreja só pode preencher esta missão quando ela é uma realidade vívida tanto para o clérigo como para os seculares [os fiéis]. Como membros da congregação temos uma grande responsabilidade, pois se não participarmos do trabalho da Igreja e não dermos nossa total contribuição a sua vida, ela não poderá cumprir sua grande missão para com a nação e o mundo.

    Consideremos, portanto, agora, qual a melhor forma de participarmos deste trabalho tão importante.

    Seria essencial, parece-nos, haver certo grau de auto-treinamento e auto-preparação. Aproximar-nos do Altar do Santíssimo é um privilégio do qual nos julgamos indignos. É da máxima importância que nos diligenciemos por remover nossa indignidade por meio de um sistema regular de auto-treinamento, de contínuos esforços por viver diariamente a vida Cristã, e de preparação especial para todo serviço.

    A auto-preparação há de sempre preceder a participação em cerimônias. Nos tempos antigos a cerimônia de ablução [limpeza do corpo] precedia à assistência a todos os serviços; meticuloso cuidado era tomado a fim de assegurar perfeita limpeza física, tanto do corpo como da vestimenta especial usada. Da mesma maneira deveremos preparar nossos corpos mais sutis, aprendendo a deixar de lado, à vontade, todos os nossos problemas, ansiedades e dificuldades pessoais, de sorte que possamos entrar na Igreja tão livres quanto possível destas limitações da personalidade. Nossas auras aparecerão então viçosas, brilhantes e puras, em vez de murchas e impuras, como, tão freqüentemente se acham nestes tempos difíceis.

    Certamente, podemos trazer nossas dificuldades e depositá-las aos pés de Nosso Senhor, e solicitar-Lhe guia e auxílio, porém Ele estará apto o auxiliar-nos com muito mais eficácia se tivermos antes feito o máximo para superá-las e se nos aproximarmos d'Ele numa atitude de desprendimento de todas as considerações de natureza pessoal.

    Da própria Igreja recebemos muito auxílio para a auto-preparação. No sacramento do batismo nos é dado um anjo para ser nosso guia e auxiliar através do resto de nossas vidas; isto ocorre na oração:

    "Possa Seu santo anjo andar diante e atrás de ti; possa ele estar contigo quando te deites e quando te levantes, e resguardar-te em todos os teus caminhos".

    Daqui em diante, ao entrarmos na igreja e esforçar-nos em ajustar nossas mentes na preparação para o serviço, nosso anjo guardião começa a nos ajudar a purificar e refinar nossas emoções. Ele libera dentro de nossas auras uma certa quantidade de forças colocadas em suas mãos na ocasião de nosso batismo - forças das quais ele é o agente inteligente e utiliza-as para produzir os resultados que ele visa.

    Além desta assistência interior, algumas vezes encontramos com um dos anjos assistentes da igreja, que nos saúda e oferece auxilio. Vê nossas necessidades e começa a trabalhar para preparar-nos para o serviço. Procura eliminar de nossos veículos mais sutis, as áreas desagradáveis e sem cor, e a ajudar-nos na espiritualização de nossa consciência pessoal.

    Quando, antes de nos sentarmos, inclinamo-nos em reverente oração a presença de Cristo no Sacramento Reservado [a hóstia consagrada dentro da custódia que é guardada no tabernáculo do altar] e fazendo o sinal da cruz, Seu poder refulge sobre nós e nos ilumina e abençoa. Entretanto, é importante que, ao fazermos o sinal da cruz, procuremos oferecer-Lhe toda aberta nossa natureza, e evoquemos o princípio Crístico [nossa natureza intuicional além da mente] dentro do nós, de forma que nossa reposta a Ele seja tão completa e perfeita quanto possível. Portanto, se vamos completamente auto-preparados à presença do Senhor e Seus anjos, todo o poder aplicado neste trabalho pode ser usado para auxiliar-nos a conseguir elevar nossa mente e expandir nossa consciência.

    Como passo seguinte, podemos esforçar-nos por estabelecer unidade mental e espiritual com nossos companheiros de culto. Pela prática firme, logo estaremos aptos a expandir nossa consciência de forma a incluir todos os membros da congregação, tanto visíveis quanto invisíveis, bem como os ministrantes angélicos. A medida que vivermos em unidade natural com todos eles, em nossa consciência egóica, será muito útil, se tentarmos elevar-nos na realização daquele eu superior, tanto em nosso culto público como no privativo.

    Um dos princípios básicos que governam o êxito em qualquer trabalho, é que quanto mais alto o nível de consciência no qual se realiza o trabalho, tanto maior é o poder por trás do trabalho. Isto é particularmente verdadeiro para todo o esforço espiritual. Portanto, seria sumamente valioso empreender a congregação um definido sistema de auto-treinamento, com o objetivo de desenvolver ao máximo suas capacidades neste sentido. Nossas meditações preparatórias deveriam, portanto, ser dirigidas no sentido de conseguir expansão de consciência, e desenvolver a habilidade para trabalhar nos níveis superiores dos mundos internos.

    O "brilhante Augoeides" ou o princípio imortal em cada um de nós, é um ser de grande esplendor; sua vida de poder e bem-aventurança está em contraste marcante com a limitação e auto-centralização que tão freqüentemente nos caracterizam na personalidade. Se, pois, pudermos alçar-nos até a nossa consciência superior, em todos os nossos trabalhos obteremos resultados incomparavelmente maiores do que qualquer que pudéssemos obter na consciência inferior, mesmo com a total concentração de nossos poderes mental e emocional. Uma parte essencial de nossa auto-preparação para a execução do culto cerimonial é, portanto, entrarmos em contato com o nosso princípio mais elevado, de forma a podermos liberar e empregar nossos poderes e faculdades mais elevados.

    Quando tivermos logrado certa medida de êxito neste esforço, e tivermos procurado unificar-nos com todos os nossos companheiros de culto, podemos então aspirar a elevá-los e a nós mesmos, até a presença do Senhor, na preparação para a magna consumação da Santa Comunhão, pela qual seremos postos em união com Ele.

    A medida que se inicia o serviço, devemos esforçar-nos por identificar-nos com o celebrante e com o sacrifício que ele vai oferecer em nosso nome. Por exemplo, nossa resposta ao "Dominus Vobiscum" ["Que a Paz Seja Convosco"] pronunciado pelo sacerdote enseja uma oportunidade especial para isto, e deve ser sempre feito com intento definido. O termo "espírito" nesta resposta parece referir-se particularmente ao princípio mais elevado do homem [Átmico], e idealmente a gloriosa, branca e ígnea irradiação daquele princípio, juntamente com a áurea luz da consciência de Cristo, que deve resplandecer nos veículos mais sutis do sacerdote. Se for realmente conseguido, o seu poder de servir como um canal para a bênção do Senhor, será grandemente aumentado. Ao mesmo tempo, cada um de nós experimentará uma certa medida desta mesma iluminação espiritual.

    Com uma congregação altamente treinada e totalmente devotada ao trabalho da Igreja, um tal resultado poderá ser atingido durante todo o serviço. Poderia então ser liberado um tremendo poder para a espiritualização e elevação da vida nacional. Nossa participação no trabalho começaria a ser comparável ao dos anjos que trabalham com plena percepção de toda a beleza, poder e significação atrás da forma exterior da cerimônia. Estes resultados ideais só podem ser produzidos pela prática firme, pelo auto-treinamento e por uma vida de contínuos esforços espirituais. Precisamos aprender a evocar a vontade espiritual dentro de nós, e a usá-la de forma que nossa devoção possa elevar-se qual uma corrente de poder ígneo; então os serviços da igreja produzirão resultados claramente definidos e maravilhosamente beneficentes.

    Uma compreensão mais profunda destas possibilidades pode ser obtida pela visualização das diferentes qualidades do caráter humano em termos de cor; um lindo azul celeste para a devoção, branco para a pureza e poder, rosa para o amor, e uma combinação destas cores para o idealismo e aspiração espirituais; um verde suave para a simpatia e compaixão, uma acentuada cor de puro ouro para a consciência de Cristo, e amarelo para a compreensão intelectual. Cada variação em pensamentos produz novas combinações e nuances destas cores, e se um grupo de pessoas se desse ao trabalho de treinar-se nestas diretrizes, seu trabalho seria maravilhosamente rico em cor e poder, e prontamente se tornaria uma oferenda reais condigna no altar do Altíssimo.

    A prática constante é o único caminho para desenvolver estes poderes espirituais até a sua completa perfeição. Relativamente pouco poderemos fazer se limitarmos nossos esforços ao tempo que assistirmos aos serviços da Igreja. Devemos praticar regularmente no recesso de nossos lares, procurando reverentemente alçar-nos a presença de Deus, Nosso Senhor, de Nossa Senhora, e de outros membros da Comunhão dos Santos, e das profundezas de nosso ser emitir a Eles torrentes de amor e devoção. Suas dádivas para nós são tão ricas e esplêndidas que são indescritíveis. Portanto nosso culto e serviço devem constituir a mais elevada of oferenda de que formos capazes. Somente poderemos conseguir isto em serviços eclesiásticos pela prévia auto-preparação, pelo auto-treinamento e cumprindo tanto quanto possível, em nossas vidas diárias, os ensinos e normas que a Igreja tão liberalmente nos dá.

    Grandes possibilidades existem em cada um de nossos serviços; porém, só uma congregação treinada pode esperar atingí-Ias. Quão maravilhoso seria se, em cada Igreja houvesse um crescente grupo de pessoa dedicadas a tarefa de melhorar e aperfeiçoar suas capacidades individuais de servos espirituais do Senhor, e de aprender a servi-Lo como uma congregação numa perfeita fusão dos seus diversos temperamentos e faculdades! Os resultados seriam então os mais esplêndidos possíveis e o fluxo de bênçãos cresceria diariamente em riqueza e potência, para o auxílio do mundo.

    Nossas igrejas se tornariam centros de poder, força e bênção. A vida das nações seria acelerada. As grandes reformas, tão urgentemente necessárias e tão retardadas, seriam apressadas. O princípio crístico da nação refulgiria e levaria seus condutores a evoluírem e adotarem medidas para a minoração do sofrimento, a eliminação da crueldade sob todas as formas, e a gradual melhoria do padrão de vida da nação. Tal é, em parte, a grande oportunidade que a Igreja coloca ante nós, como membros da congregação.

    2 - OS OLHOS DA ALMA

    "Assim que o Evangelho é anunciado, todos cantam o seguinte, fazendo o sinal da cruz com o polegar da mão direita sobre a testa, lábios e peito, sucessivamente: "Gloria +, a Ti +, ó Senhor +".

    A LITURGIA DA IGREJA CATÓLICA LIBERAL

    Nesta instrução nossa atenção é dirigida para a importância do sinal e palavras de poder, ambos os quais têm um lugar definido e distinto na cerimônia.

    Há um estágio no desenvolvimento oculto, em que a voz se torna um canal para certas forças definidas. Este estágio é atingido em toda a plenitude somente quando são vivificados os centros de força ocultos da contraparte mais sutil do corpo [chamdos chakras no oriente]. Estes centros de força existem em sete pontos do corpo, um dos quais na garganta. Este, quando ativo, assemelha-se mais a uma flor de trepadeira filamentosa, semelhante a uma chama, projetando-se de sua haste na espinha dorsal como uma flor. Na condição normal de não desperto, é visível em seu contorno, estando o centro cheio de uma substância semelhante a medula.

    Este é o centro criador, mais elevado no corpo humano, e quando está ativo, o poder do som pode ser usado para criar e animar formas que agirão como canais para influências e como agentes do poder. Podem ser então liberadas forças mais elevadas e a voz se torna um veículo para o imenso e potente poder criador da mente e da vontade. Além disso, diz-se que a abertura desse centro nos dota da faculdade de clariaudiência [o poder de ouvir os sons do plano espiritual].

    O sinal da cruz, feito da forma prescrita nesta parte da cerimônia e com intenção, abre temporariamente o centro de força da garganta. Por esta razão nunca devemos fazê-lo de maneira negligente, bem como nenhum outro movimento no cerimonial. Poucos de nós, no presente estão preparados para ter nossos centros de força permanentemente abertos porque tornar-nos-íamos prematuramente suscetíveis à influencias de inteligências e poderes superfísicos; e assim, misericordiosamente, estes órgãos sensoriais da alma estão fechados.

    Podem, entretanto, ser temporariamente estimulados com segurança, servindo assim de canais às energias superfísicas. Esta estimulação é feita de várias maneiras, uma das quais é o uso cerimonial de símbolos e palavras de poder, como as prescritas na passagem da Liturgia Católica Liberal, citadas no início deste capítulo. A abertura do centro da garganta, neste ponto do serviço, tem espiritualmente um efeito acelerador e estimulador sobre nós e capacita-nos a participar mais efetivamente da cerimônia a seguir. É da maior importância que, ao lado deste desenvolvimento que temos o privilégio de receber da igreja, pratiquemos o domínio da linguagem, para que não usemos mal da dádiva que nos é assim dada. A antiga regra relativa ao domínio da linguagem é a de que antes de falar, inquiríssemos de nós mesmos se o que vamos dizer é necessário, amável, delicado e verdadeiro.

    Também existem centros de força entre os olhos e no coração. Estes também devem ser vivificados pelo sinal cerimonial da cruz feito sobre eles. O centro entre os olhos, quando aberto, aumenta o raio de nossa visão, adicionando-lhe a percepção dos mundos mais elevados [clarividência]. O resultado desta visão mais ampla dar-nos-á uma compreensão mais profunda dos mistérios da vida e da religião.

    O centro do coração, quando aberto, aumenta o poder do amor humano, adicionando-lhe a qualidade da compaixão divina [intuição e simpatia]. Algumas vezes é chamado a Rosa Mística, que floresce no coração. Ainda que se assemelhe a uma linda flor construída de luz de ardentes correntes coloridas, a verdadeira interpretação do símbolo da rosa é o que representa o desabrochar do amor e compaixão divinos no coração humano. Este desabrochar pressagia o nascimento do Menino Cristo [o princípio crístico além da mente], que necessita nascer antes no coração de cada homem, para ele poder penetrar no reino dos céus. Por urna exata e apropriada observância da instrução que nos dá a Igreja, podemos apressar a hora dessa grande consumação.

    Um dia aquele Menino Cristo em cada um de nós crescerá ate "a medida da estatura da plenitude de Cristo", e de nossa parte nós nos tornaremos Salvadores de homens. O propósito da religião é auxiliar-nos a atingir rapidamente a grande meta e guiar e inspirar-nos na caminhada da Senda que conduz ao preenchimento da vida.

    3 - OS SANTOS ANJOS

    "Vós, Vigilantes e Santos Brilhantes Serafins, Querubins e Tronos, Entoai o alegre canto - Aleluia! Clamai Dominações, Principados, Poderes, Virtudes, Arcanjos, Coros de Anjos, Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia.

    "Oh mais elevado que o Querubim, Mais glorioso que o Serafim. Dirigi seus louvores, Aleluia! Tu, portador da Palavra eterna, Tu, misericordiosíssimo, exaltai o Senhor. Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia.

    "Respondei, vos almas em repouso infindo; Vós, Patriarcas e Profetas benditos, Aleluia, Aleluia.

    Vós, os Santos Doze, Vós poderosos Mártires, Todos os Santos, triunfantes entoais a canção, Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia.

    "Ó amigos, alegremente cantemos. Supernas antífonas repetindo, Aleluia, Aleluia. Ao Deus o Pai, ao Deus, o Filho, E ao Deus o Espírito. Três em Um, Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia".

    Este glorioso hino nos proporciona o mais precioso meios de nos ligar aos santos anjos. O primeiro verso dirige nossa atenção para as grandes hostes das nove ordens da hierarquia dos anjos; se pudermos cantar este verso com conhecimento, compreensão e força, estabeleceremos indubitavelmente laços definidos com eles e asseguraremos a sua cooperação em todo o nosso trabalho. O pensamento subjacente no segundo verso, leva-nos ainda além das grandes nove ordens de anjos; o terceiro verso alça-nos à presença da bendita Comunhão dos Santos, enquanto que o quarto verso une Santos Anjos e homens no culto à Santíssima Trindade.

    O hino todo poderia ser muito proveitosamente utilizado para meditação particular. Certamente é necessário meditar sobre ele, obtendo algum conhecimento de seu poder e significância antes de poder cantá-lo com pleno efeito. A meditação definida num ritual, na preparação para seu uso como parte de um cerimonial, é de grande valor para cada um de nós. Por tal meditação preparatória podemos descobrir a realidade além das palavras; então, quando o recitamos ou o cantamos juntos num ato de adoração conjunta, podemos esperar produzir os máximos resultados, tanto na realização interna como na irradiação das bênçãos sobre o mundo.

    O contato com a consciência angélica é um privilégio de inestimável valor. A cooperação angélica torna tudo o que tentamos fazer nos mundos espiritual e material, muito mais vital e potente do que o poderia ser de outra forma.

    Numa recente ocasião, quando o autor tentava observar o efeito produzido nos mundos ocultos durante o canto deste hino, pareceu-lhe que durante os dois primeiros versos tínhamos nos tornado definidamente ligados aos representantes de grandes ordens de anjos que foram atraídos pelo e para o nosso trabalho. Haviam voltado sua atenção para nós, e se unido o mais intimamente possível.

    Depois de termos cantado o terceiro verso, os anjos que haviam estado cantando conosco, e que estavam voltados para a união e cooperação, retiraram sua atenção de nós, silenciosamente, e curvaram-se na mais profunda reverência aos membros da Grande Fraternidade Branca a quem era dirigido. O autor estava grandemente impressionado pela mudança de atmosfera produzida por esse verso. Por um momento transferimos nossa atenção do reino angélico para o super-humano e isto nos permitiu acompanhar a mudança de consciência e do grau de vibração que ocorria na igreja. No quarto verso, a totalidade de poder evocado pelo hino ascendeu numa poderosa e multicolorida torrente de adoração fundida de anjos e homens às Três Pessoas da Santíssima Trindade, a quem é dirigida. Nos mundos mais elevados, coros de anjos cantavam com seus irmãos da terra, de forma que um glorioso hino de adoração e louvor irrompeu-se como uma torrente ascendente em direção ao próprio trono de Deus.

    Somente foi obtido como resposta o mais simples lampejo desta glória oculta e do derrame de bênçãos de nosso Pai, porém isto constituiu uma promessa de coisas muito maiores, de realização e expansão espirituais que a Igreja oferece a todos os que aceitarem os tesouros que dá a seu povo com tão pródiga beneficência. Certamente, nós, os da Congregação, deveremos nos esforçar ao máximo para obter a expansão de consciência que trará esta maravilhosa vida interior e beleza oculta para nossa experiência pessoal.

    As hostes angélicas parecem viver continuamente nesta grande realização. Não perderam, como nós, o senso de unidade com Deus e com tudo o que vive. A unidade de ideal, de pensamento e de ação é extraordinariamente inerente a hierarquia angélica. Os anjos fundem suas vontades, seu conhecimento e seu amor tão intimamente, que suas consciências quase se assemelham a da alma grupo dos reinos (1) animal, vegetal e mineral da Natureza. Nossa evolução humana difere da sua a este respeito; nossa peregrinação conduz-nos a um estágio de mais profundidade nos mundos materiais, e nosso enclausuramento em corpos formados de matéria física inevitavelmente produz sensação de separatividade entre um e outro e de Deus. Esta separatividade é a causa principal de todo sofrimento humano. Podemos, entretanto, libertar-nos da "grande heresia", como se tem chamado a separatividade, pela meditação sobre a unidade e pela prática contínua da perfeita cooperação com os anjos e com os outros, em nosso trabalho. Um anjo deu uma vez ao autor conselhos muito úteis sobre este assunto, publicado em seu livro Sede Perfeitos, do qual pode apropriadamente citar:

    (1)Vide "Estudo sobre a Consciência", de A. Besant.

    "A fim de conseguir este grande resultado e ganhar o prêmio da bem-aventurança eterna ele (o aspirante a vida espiritual) precisa empreender a tarefa de emancipar-se da ilusão multissecular da separatividade. Precisa aprender a rasgar o véu da ilusão e saber que muitas sombras podem ser dissipadas pela única Luz e que embora as sombras sejam incontáveis como as areias da praia, a Luz é Una; para esta Luz precisa ele ascender, descobrir-se para ela e libertar-se para sempre da auto-identificação com as sombras do mundo sombrio, através das quais tem evoluído. Precisa aprender a passar "do irreal para o real, das trevas para luz, e da morte para a imortalidade".

    "Para auxiliá-lo nesta grande tarefa ele precisa praticar constantemente a arte da Unificação, a suprema arte da qual nascem todas as demais. Precisa aprender a ver-se em cada forma, a encontrar-se em cada semelhante, a reconhecer a luz que é ele próprio atrás de cada sombra projetada sobre as areias sempre movediças do espaço e do tempo. Ele pode principiar com os homens, os animais, os vegetais ou as pedras preciosas; com as rochas, árvores, flores, pássaros, sua própria raça ou outra, os oprimidos, os decaídos, o santo ou o Salvador; ele pode tomar a massa ou o indivíduo, a árvore ou a simples folha, o oceano ou um simples grão de areia. Em sua longa peregrinação terá encontrado uma afinidade com a Natureza ou com os homens, que poderá servir como um ponto de partida, do qual possa iniciar a jornada da afinidade e desta para a identidade.

    "Utilizando o objeto pelo qual sinta mais atração meditará, procurando encontrar-se nele, conhecer e sentir em e com as mentes e corações dos outros. Meditando, esforçar-se-á por captar o ritmo das vidas de outros, fundindo a sua própria com a deles. Escutará a música, buscará a visão e sentirá o pulsar da alma dos outros, e tendo-os encontrado, as conhecerá como seus próprios.

    "A vida se torna então uma grande experiência para ele, e o mundo, um estúdio no qual pratica a sua arte. Não mais indagará o que pense ou sente o seu irmão; não mais se deterá na dor ou forma de uma paisagem ou folha, de uma concha ou dicótomo, porque sabe que aquilo que uma vez pareceu revelar, serve agora apenas para ocultar o conhecimento que ele deseja.

    "Ele procura a alma de todas as coisas, grandes ou pequenas; para encontrá-la, precisa tornar-se a concha, o diamante, a haste de grama, a florzinha, a águia ou a pomba; precisa tornar-se o seu irmão humano, conhecê-lo melhor do que a si próprio, e ver mais claramente que ele a perspectiva de sua vida. Precisa aprender a verter gotas de si mesmo, através dos mundos, nos corações dos demais; precisa mergulhar nas profundezas das almas dos outros, como um seixo cai numa cisterna. Se o variado grupo da Natureza suscita doce beleza de sua alma, então deve refugiar-se na Natureza. Sentado sob os frondosos galhos de uma velha árvore, pode procurar penetrar sua alma; pode aprender a sentir as forças poderosas que sobem da raiz para o tronco, deste para a haste, da haste à folha e através da folha flui para o espaço, em correntes radiantes e magnéticas; pode aprender a oscilar com a árvore sob a pressão dos ventos, a sentir a tensão e a guindagem com que sua verticalidade é mantida, pode sentir a evolvente consciência interna, dilatando-se ao longo das linhas de força que governam seu crescimento, em resposta ao impulso condutor da Vontade Divina; pode sentir Seu poder pulsando através do átomo e da cédula. Se uma folha cai da árvore, ele também deve cair, reconhecendo-se uno com a folha, quando ela gira e flutua, colhida pelos remoinhos de vento, ele também deve girar e flutuar, e conhecer a sensação até da mais leve pressão das correntes de ar roçando nas curvaturas internas e externas da folha; deve afundar-se com a folha, adejando até o chão, e ali achar repouso, imerso num milhar de outras folhas.

    "Assim, dia a dia, com infatigável paciência, meditará, procurando penetrar no âmago do coração, na própria vida da árvore. Com a intensidade do desejo, concentrada e resoluta, atingirá aquele nível de unidade onde a vida da árvore e a vida do homem se conhecem como uma. Enquanto não se realizar esse efeito, isto deve ser a prática diária de sua vida; cada ânsia pelo objeto do desejo, cada anelo de união com o objeto do seu amor, que sempre conheceu, deve ser transmitido e dirigido como aspiração flamejante, determinação invencível, para unir-se a vida além de toda forma, encontrar a alma da unidade, a própria essência da união, perder-se no oceano de vida una, unir-se a Deus" (1).

    Em todo trabalho de equipe - e os serviços de nossa igreja podem, com propriedade, ser considerados trabalhos de equipe - faríamos bem começar fazendo uma tentativa deliberada e consciente para seguir este conselho. Atualmente, somos muitíssimo individualistas em todos os nossos esforços. O anjo que dirige o serviço tem, portanto, que procurar unificar-nos; ele estende sua aura ao nosso redor, atrai e concentra todas as numerosas correntes de forças separadas e funde-as numa única. O sacerdote, também, deve sentir uma necessidade semelhante de sorte que uma determinada parcela de sua atenção e poder seja desviada do seu outro trabalho a fim de fazer por nós o que deveríamos ter aptidão para fazer por nós mesmos.

    Podemos, em primeiro lugar, tentar unificar-nos uns com os outros, depois com os sacerdotes e servidores, e depois com os anjos, formando deste modo uma unidade, um organismo vivente dedicado ao serviço do Senhor e por último unificado com Ele. Este ato de unificação é uma necessidade fundamental e básica em toda a nossa vida e trabalho da igreja. Devemos manter-nos intimamente unidos em termos de consciência, de forma a produzir uma grande corrente de força, a qual ascenderá para Deus, e servirá como perfeito cálice para a recepção e distribuição do poder e bênção espirituais que Ele derrama em resposta.

    (1) Op. Cit. pp. 18-19.

    Embora possamos não estar cientes disso, se alguém do grupo não está em harmonia com seus irmãos, caso sinta-se deprimido, crítico ou egocêntrico, pode arruinar seriamente parte do trabalho. Por mais arduamente que trabalhem o resto da congregação, o sacerdote e os anjos, não será possível um resultado perfeito, nestas condições. Nossa responsabilidade, bem como nosso privilégio de membro da Igreja é, pois, muito grande, e é importante que venhamos para a igreja num espírito de amor, de unidade, de reverência e auto-recolhimento para servir e adorar o Senhor. Se falharmos a este respeito, e formos arrastados pela força da devoção alheia, poderemos atuar qual uma droga em todo o serviço, impedindo a consecução daquela beleza e perfeição imaculadas do cerimonial, condição indispensável para atingirmos nosso ideal de verdadeira adoração.

    Se nos esforçarmos para unir nossas consciências com as dos anjos, muito poderemos aprender deles. Por exemplo, a atitude deles para com o Nosso Senhor e Nossa Senhora, e com a Santa Eucaristia, é de intensa reverência, humildade, adoração e completa anulação de si próprio ante a presença da glória e esplendor transcendente. A reverência brilha através de todo o seu trabalho, de forma que tingem tudo o que fazem com santidade e beleza, e com aquela indefinível espiritualidade, que é a característica tão marcante das hostes angélicas.

    Entremesclada com a sua reverência total, há também uma alegria que impregna a sua vida de trabalho. Não poderíamos aprender com eles e tentar conseguir este estado ideal?

    Muitas vezes, quando estamos reverentes não estamos muito alegres, e quando nos sentimos felizes somos propensos a perder rosa reverência. Esquecemos a divindade inerente de todas as pessoas e todas as coisas; os anjos parecem nunca se esquecerem da Presença de Deus Imanente. A divindade e santidade de todas as coisas parecem ser continuamente evidentes para eles. Quer estejam executando uma tarefa puramente religiosa, dirigindo correntes de força, ou trabalhando por um dos outros reinos da Natureza, há sempre esta reverência tributada ao Deus interno, que parece ser uma qualidade fundamental de suas consciências. Isto não os faz beatos num sentido vulgar, porque há sempre amor, satisfação e alegria em seus corações.

    Assim faremos bem, tanto em nossas vidas diárias como em nossa freqüência à Igreja, de combinar a reverência com a alegria. Se apenas tentarmos imprimir em nossos caracteres as qualidades que os anjos possuem em um grau tão marcante, a cooperação com eles será muito mais facilmente atingível e todo o trabalho que nos esforçarmos para fazer para Nosso Senhor será vitalizado e enriquecido pela união com nossos irmãos das hostes angélicas.

    O autor escreveu mais amplamente sobre este assunto em seus livros - "A Fraternidade de Anjos e de Homens", e "Assim eu Ouvi".

    4 - A META DA VIDA CRISTÃ

    O escopo de todo o culto da igreja e a meta de todo esforço espiritual é entrar em união com o objeto da devoção. Para os cristãos, porém, a meta é a auto-identificação com o principio Crístico em nós, e através dele, com o Próprio Nosso Senhor, e daí com toda a vida manifestada.

    Não basta desenvolvermos certos poderes ocultos, abrirmos os centros internos ou aprendermos a verter correntes de força. A posse de habilidades especiais aumenta nossa utilidade como servidores do Senhor, porém no desenvolvimento e uso das mesmas nossa atenção nunca deve afastar-se inteiramente do verdadeiro propósito do culto de igreja e da vida Cristã.

    Enquanto prestamos a devida atenção aos atos externos da adoração, para o fluxo de amor e devoção a Deus como manifestado em Nosso Senhor e Nossa Senhora, na Comunhão dos Santos e dos Santos Anjos, é importante que sempre nos recordemos de nossa própria inerente divindade, que é nossa suprema obrigação manifestar continuamente na Terra. Finalmente, devemos estar unidos ao nosso Deus interno [o Eu Superior ou Alma], porque somente pelo poder desta recôndita divindade podemos tornar-nos Salvadores do mundo.

    Para atingir esta meta não há, em realidade, necessidade do culto da igreja, porque Deus está presente em toda a parte, Ele está presente em toda coisa vivente, em nossos lares, nas ruas, no campo ou nas favelas, da mesma forma que Ele está presente, numa medida especial, em Seu Santo Altar. Se alguma vez aprendermos a vê-Lo em qualquer destes lugares, nós O veremos em todas as partes. Não podemos fazer isto, entretanto, enquanto não começarmos a encontrá-Lo dentro de nós, pois é somente com os olhos do Deus interno que veremos o Deus externo. Numa escritura hindú, Ele diz da mais linda forma: "Quem Me vê em todas as coisas e todas as coisas em Mim, Eu jamais o abandonarei nem jamais ele Me abandonará" (1).

    Tal visão divina não deve ser confundida com os poderes de cognição ligeiramente dilatados que o psíquico alcança. A não ser que possamos ver Deus no mundo físico, a clarividência não nos auxiliará a vê-Lo no mundo superfísico. O psiquismo pode mesmo constituir um sério obstáculo. O domínio do pensamento e uma capacidade especial para a projeção do poder, são de pequeníssimo valor para nós, adoradores da Igreja, se permitirmos que se tornem fins em si e nos esqueçamos de que são apenas degraus, e nem por isso degraus essenciais, na senda para a divindade. De outro lado, se tivermos sempre a meta em mira, todo o nosso trabalho, seja dos mundos espiritual, físico ou material, será enriquecido por todo novo poder que a Igreja nos ajuda a desenvolver.

    Nós nos tornaremos mais eficientes em nosso trabalho da igreja, se nos diligenciarmos em realizar a presença vivente de Deus ao redor e no interior de cada um de nós, e procurarmos unificar-nos ali com Ele. O membro ideal de uma congregação é certamente aquele que se esforça continuamente por levar todos os seus poderes e faculdades no mais alto grau de desenvolvimento e perfeição, e que, ao mesmo tempo, se engolfa numa realização cada vez mais profunda do Deus dentro de si e de todos os seres.

    (1) O Bhagavad Gita.

    Se tivermos a visão certa - a visão crística - nós O veremos através dos olhos de todas as pessoas. Por mais baixa ou aparentemente degradada que uma pessoa pareça estar, o Cristo está dentro dela, e se pudermos apenas trespassar o véu O veremos ali; talvez solicitando-nos o serviço de que os decaídos necessitam urgentemente. Tal serviço não e prestado somente à humanidade ignorante e fraca, porém ao Cristo que mora em seu interior e é "a esperança de glória" de toda a espécie humana. Não disse Ele: "Tudo o que fizeste pela menor destas minhas criaturas, vos o fizestes para mim"? Quando esta visão do Cristo no homem começa a despontar em nós, estamos com certeza nos acercando do momento do união e o dia da reconciliação não está muito longe.

    A senda para esta gloriosa consumação é longa e difícil de palmilhar. A Igreja, entretanto, é nosso guia e apoio infalíveis. Em seus serviços -e sua vida podemos obter a necessária elevação e fortaleza, e ano após ano, podemos fazer um definido avanço para a meta de nossa existência.

    A medida que nos elevamos, conduzimos toda a humanidade conosco, como o fez Nosso Senhor. Esplêndido, certamente, será o trabalho da Igreja no mundo, quando ela contar entre os seus seguidores com um número rapidamente crescente de homens e mulheres de visão espiritual, poder e autoconhecimento. Ela começará então a ocupar seu legítimo lugar na vida das nações, como inspiradora de toda reforma e a fonte inesgotável daquele poder que acelerará a evolução da humanidade.


    CAPÍTULO IV
    UMA CONGREGAÇÃO INVISÍVEL
    OS EFEITOS INTERNOS DA MISSA DE RÉQUIEM, REALIZADA NO DIA DE TODA AS ALMAS NA PRO-CATEDRAL DE SANTA MARIA DA IGREJA CATÓLICA LIBERAL, EM LONDRES

    As almas desencarnadas assistem freqüentemente aos serviços físicos das igrejas, porém na ocasião especial da Missa de Réquiem, vê-se presente um grande número delas. Muitas chegam, algum tempo antes do início do serviço, concentrando-se a maior parte ao redor das alas da igreja e na galeria, e ocupando grande parte do espaço sob o teto.

    Em suas consciências mais elevadas muitos membros da congregação física podiam saudar a seus amigos superfísicos. A alegria de muitas reuniões felizes que assim ocorreram, não foi em nada afetada pelo fato de pouco ou nenhum conhecimento dos desencarnados ter penetrado na consciência física dos encarnados. A maior parte da congregação física havia criado nítidas formas-pensamento de seus amigos particulares falecidos e estas foram mais tarde substituídas pelos próprios amigos. Em alguns casos os desencarnados trouxeram consigo seres com quem haviam feito amizade no outro lado. Estes, junto a outros visitantes e os freqüentadores superfísicos da Igreja, humanos e angélicos, formaram uma congregação muito grande nos mundos ocultos.

    A congregação superfísica ficou de frente para o altar no início do serviço, e daí em diante foi gradualmente se aproximando cada vez mais do mundo físico. Desde o começo eles viram nitidamente os candelabros, porque a luz da vela de cera é visível nos mundos ocultos e algumas vezes é usada como um sinal para os do outro lado do véu. A chama de luz e força emanada do Sacramento Reservado também é claramente vista, bem como os anjos ministrantes e as correntes de força fluindo através dos vários símbolos e jóias. Entretanto, estranhamente alguns nada vêem, apesar de sua visão não ser limitada como a nossa, por possuirmos corpo físico.

    O efeito geral, entretanto, era para revelar o interior do plano físico da igreja, como se tivesse sido aberta uma cortina de um palco. Este afastamento do véu não se estendeu na mesma proporção ao exterior da Igreja. O conjunto da congregação ficou isolado das vibrações e fenômenos do mundo externo. Um grande anjo a quem nos referiremos mais adiante, vigiava este isolamento e mantinha a congregação superfísica dentro de sua aura, e assim ajudava a criar as condições em que o véu poderia ser seguramente afastado.

    Os anjos da Eucaristia têm também o cuidado de incluir tanto os vivos comos os desencarnados no edifício interno espiritual, de forma que todos possam compartilhar tanto quanto possível das influências derramadas. Eles ajudavam as pessoas no que era necessário e possível, e gradualmente, como resultado de suas carinhosas ministrações e do serviço, as congregações física e superfísica eram unidas uma a outra. No final do serviço os desencarnados estão aptos a ver o edifício físico, seus amigos, e especialmente os sacerdotes e os servidores no interior do Santuário.

    Isto os enchia de intensa felicidade, embora alguns experimentassem vaga saudade e mesmo anseio de retornar a vida e camaradagem do plano físico. Uns poucos não haviam achado a nova vida tão feliz quanto poderia ter sido, e sentiam-se solitários ali.

    Para muitos, sua consciência interna se desvanecia um tanto a medida que a percepção física aumentava, embora alguns poucos retivessem sua visão de seus próprios mundos. Alguns penetravam na aura de seus amigos e permaneciam de pé ou sentados com eles, porém a maioria dos que tinham amigos físicos presentes flutuavam bem acima deles. Quase todos sentiam a alegria da reunião e de receber os pensamentos e recordações amorosas de seus amigos e parentes. Gradativamente, a medida que todos se tornavam completamente harmonizados, as palavras e a música eram ouvidas com crescente clareza. Isto os tornava muito ditosos, evocando-lhes antigas recordações. Para eles era um grande prazer ouvir as vozes atuais de seus amigos particulares, deixados no plano físico. Ouviam muito atentamente o sermão, e no Credo, todos inclinavam suas cabeças. Alguns deles evidentemente conheciam bem as palavras e ajoelhavam-se no exato momento, porém todos acompanhavam com compreensão e assentimento reverentes.

    Decorrido algum tempo, todas as considerações pessoais cederam lugar ao ato de adoração conjunta, quando as duas congregações se integraram no rítmo e poder do serviço. Pouco a pouco, com poucas exceções, se tornaram unificadas e harmonizadas, e os anjos puderam tratá-las como uma unidade. As exceções foram os que não haviam sido acostumados ao culto da igreja; estes permaneciam um tanto afastados, observando com interesse, mas não participando.

    O Anjo da Presença resplandecia em toda a perfeita beleza espiritual do Senhor, cujos amor e benção fluíam continuamente através d'Ele. Todos eram envolvidos nesse maravilhoso fluxo, especialmente os sentados a parte, pois o Anjo parecia volver sua atenção para eles com o mais terno e compassivo amor, que paulatinamente vencia seu afastamento e os atraía.

    Um grande anjo de tipo inteiramente novo para o autor apareceu na extremidade ocidental da igreja. Embora fosse essencialmente um anjo de amor, e vertesse uma qualidade especial de amor e proteção sobre os desencarnados, sua aparência externa era tal que nos fazia pensar no Anjo da Morte. Parecia ser um representante do grande Deus da Morte, cuja mão poderosa corta o cordão de prata que ata a alma ao corpo durante a vida terrena. Sua fisionomia era enérgica e inspirava tímido respeito com sua inescrutável expressão de poder e mistério. Era de cor verde escuro e da altura do corpo da igreja.

    Mantinha a congregação invisível muito coesa no interior de sua consciência e exercia uma influência protetora sobre a mesma, de forma que nenhum dano poderia ocorrer aos vivos como aos mortos. Ele permanecia imóvel e impassível, zelando como se mencionou acima o isolamento da igreja do mundo externo, e dando a impressão de uma estátua enorme, viva e verde escura do Anjo da Morte.

    No mundo do além, como neste mundo existem muitos seres indesejáveis que tomariam vantagem imediata das condições especiais, do íntimo intercâmbio de forças entre os dois mundos. Esta proteção angélica era, portanto, adicionada ao isolamento propiciado pela consagração original da igreja e pelas "paredes" do edifício eucarístico.

    Parece também ter havido uma rarefação do véu no mundo externo, porém isto se restringiu aos níveis mais elevados dos planos concernentes. Isto parece ser o resultado de certas mudanças que ocorrem em todo sistema solar nesta época do ano. A influência do espiritual, como distinta do material, parece ser de algum modo aumentada e a divisão entre o espírito e a matéria como um conjunto, parece ser marcante. Talvez haja uma lei cíclica sob a qual, nesta época do ano, todos os véus se tornam definidamente mais tênues, de sorte que os níveis sem forma e com forma se tornara mais intimamente associados e os planos dentro destas divisões, mais intimamente sincronizados. Os sub-planos mais elevados dos mundos mental, emocional e etérico, são fundidos e mutuamente entrelaçados de maneira que o pulsar da vida e força no mundo material e através do mesmo é muito mais livre, do que normalmente. Dentro da igreja, onde se criam condições especiais, isto se estende através de todos os sub-planos, decrescentemente, e daí a necessidade de medidas especiais de precaução.

    Aparentemente é função do Anjo da Morte manter a necessária proteção, pois a ele concerne a passagem de poder, consciência e vida de plano para plano, e a transferência da consciência humana do plano físico ao plano emocional, na morte. Ele pode exercer uma função, que é complementar e o inverso da de Nossa Senhora, a qual preside a todo nascimento humano.

    Sugere-se correspondência, porém o autor não está habilitado a dar um pronunciamento definido sobre o assunto.

    Retornando ao serviço em si, notou-se que a repetição de um nome em uma cerimônia liga instantaneamente o seu dono, aonde quer que esteja, com o oficiante, e através dele, com o poder da cerimônia. Quando foi recitada a prece pelos mortos e mencionados os nomes dos falecidos, os designados fulguravam subitamente com uma luz maior, a bênção do Senhor verteu-se do Santuário sobre eles, e fez o princípio crístico brilhar dali para dentro deles. Os não efetivamente presentes tiveram sua atenção atraída para os ali mencionados. Em alguns casos vieram imediatamente para a igreja, chamados pelo poder do Senhor e pelo amor dos que os lembraram.

    Os próprios anjos trouxeram para a igreja muitos daqueles cujos nomes foram mencionados, ao mesmo tempo que adicionavam outros, não mencionados. Muitos anjos se assemelham a lindos pastores, cada um com seu rebanho destas "ovelhas" humanas, que haviam reunido e trazido a presença do Senhor. Muitos auxiliares humanos invisíveis, estavam também muito ocupados em trazer gente desencarnada para a igreja, e em ajudá-los a assimilar a atmosfera e a bênção do serviço.

    O Anjo Construtor incluía todos estes em sua esfera de trabalho, e o Anjo da Presença saudava-os com o seu glorioso sorriso de amor e ternura a medida que chegavam. Era maravilhoso contemplar a expressão e o sorriso do Anjo da Presença. Seu sorriso revela muitíssimo mais do que qualquer sorriso humano pode expressar; inclui um jubiloso reconhecimento de um velho e muito amado amigo, uma profunda compreensão espiritual de todas as suas mais elevadas esperanças e possibilidades, e o terno amor compassivo de um pai para com o seu filho predileto. A expressão na face do Anjo é sempre a de exaltação espiritual, enquanto que o irradiante poder, vida e amor fluem através dele continuamente. Quando, pois, ele sorri, a beleza e amor profundamente compassivo revelados, excedem a toda concepção humana, e nenhuma palavra pode retratar com propriedade a maravilha deste glorioso Representante angélico de Nosso Senhor.

    Uma tal visão do Bom Pastor e Seus servos angélicos e Seu rebanho demonstrou prontamente que Ele conhece cada indivíduo deste planeta, que todos os homens estão envolvidos no abraço de Seu amor, e que de fato "por baixo estão os eternos braços". O Anjo da Presença reconhecia, cumprimentava, abençoava, e enviava amor a cada indivíduo que chegava, e extraia o mais elevado no interior de cada um, em resposta.

    A medida desta resposta variava consideravelmente. AIguns nessa hora estavam preocupados e concentrados em si e não responderam completamente; todos eram definidamente auxiliados, cada um na medida em que estava apto a receber e assimilar a bênção vertida e o Cristo interno podia ser despertado. Àqueles que estavam lutando com grandes dificuldades quando a bênção os atingiu - freqüentemente acompanhada por um anjo - se sentiam de repente livres da tensão o iIuminados com as soluções de seus problemas. Para muitos era um nítido ponto de retorno no longo ciclo de encarnações; pode mesmo influenciar o restante de sua peregrinação para a perfeição. Como fez o Filho Pródigo, desde então "se levantarão e irão a seu Pai". Teve lugar uma verdadeira conversão e determinaram-se desde esse dia a dedicar-se a vida espiritual e ao trabalho profícuo.

    Vê-se, só por este fato, o valor não somente do cerimonial espiritual em conjunto, porém especialmente, da Missa de Réquiem e das orações pelos mortos; porque muitos que são insensíveis e estão espiritualmente adormecidos durante toda a sua vida terrena, podem mudar completamente depois da morte. No final do serviço, a congregação invisível foi se aproximando cada vez mais do Santuário, e grande parte dela parecia receber o Sacramento através de seus amigos encarnados. As auras de todos os seus membros brilhavam com crescente intensidade a medida que os momentos passaram e no encerramento muitos deles se sentiam espiritualmente exaltados e iluminados.

    Logo depois do "Ite, missa est", o véu entre o invisível e o visível parecia tornar-se mais denso, como se a cortina fosse de novo fechada sobre o palco da vida terrena. Alguns dos desencarnados, embora nem todos, que ficaram para a bênção final, permaneciam por algum tempo ao lado de seus particulares amigos físicos e mesmo os acompanhavam até fora da igreja. Possivelmente podiam participar da vida deles durante o resto do dia, de uma forma que normalmente não é possível. Uns poucos permaneciam na igreja para orar, porém a maior parte da congregação invisível dispersou-se depois de ministrada a bênção final.

    Observando estas coisas, parecia que de muitas maneiras a religião seria muito mais fácil para os desencarnados, que para os vivos, pois aqueles podem ver muito mais do lado oculto do serviço, do que nós. O brilho irradiante da Hóstia e emanação do poder de Cristo através da Cruz, o esplendor e a beleza do Anjo da Presença, se manifestam claramente ante seus olhos.

    No conjunto, a sua resposta ao serviço era muito maior do que a nossa. Percebia-se quanto o corpo físico impede nossa realização e resposta às grandes verdades e forças espirituais corporificadas pela igreja, e quanto poder, beleza e conhecimento o cérebro físico nos impede de perceber.

    Parte do valor da cerimônia da igreja é que estimula e acelera nossos corpos e cérebros para um maior grau de sensibilidade e capacidade responsiva; de forma que o véu se adelgaça mais e mais a medida que nossa Mãe espiritual nos conduz a maiores profundezas da vida religiosa. Depois de alguns anos de serviços e de preces devemos nos tornar tão responsivos as coisas mais profundas como os membros desencarnados da congregação. Por fim, nossa realização será igual a dos santos anjos e não mais necessitaremos da Igreja, salvo como um glorioso campo de serviço para o mundo.


    CAPÍTULO V
    SERVIÇO DE CURA

    O princípio subjacente pelo qual toda cura espiritual produz seus resultados parece ser que para haver uma saúde perfeita é essencial que haja uma perfeita relação entre o homem natural e o espiritual.

    Em vários graus, de acordo com a capacidade responsiva dos sofredores, um serviço de curas remove dos veículos de consciência as obstruções que impedem, ou deformam a perfeição daquela relação. Depois do serviço o homem natural e o espiritual estão num estado de sintonia tão harmonioso e perfeito quanto possível. O grau em que isto se consegue depende, em grande parte, da perfeição e compreensão com que a cerimônia é celebrada, da colocação do sofredor na escala evolutiva, de seu carma e de suas tendências mental, emocional e física, inerentes.

    Em todos os casos, entretanto, sua consciência superior é definidamente iluminada e fortalecida; esta elevação ajuda-o a continuar mais efetivamente o processo de ajustamento em que já esteve empenhado e a suprir as deficiências de caráter que, pelas transgressões, possibilitam o carma. Este efeito é, em grande extensão, obtido por uma descida do poder do mais elevado princípio, no interior do suplicante, para a graça da cura.

    No indivíduo normal o poder do princípio espiritual mais elevado [Atma, a vontade espiritual], o da divina vontade no homem, muito raramente, se alguma vez, atinge a personalidade. A razão disso é que a Consciência Crística ou o amor divino no homem, não está suficientemente desperta e desenvolvida, no atual período da evolução humana, para transmitir este poder. Nas cerimônias da igreja e especialmente na Santa Comunhão, entretanto, Nosso Senhor, em Seu terno amor e carinho pela humanidade, aproxima-Se e unifica-Se tão intimamente com Seu povo, que Ele próprio Se torna o Princípio Crístico ativamente desperto nele. Por esta "expiação" Ele lhe proporciona um contato intermediário com os mundos espirituais mais elevados, que normalmente estão além do seu alcance. Isto apressa a época do nascimento do infante Cristo no coração humano e torna imediatamente possível a descida do poder e bênção dos aspectos mais elevados e mais divinos da natureza humana, uma ocorrência que tende grandemente a modificar o carma adverso. Em casos de santificação súbita e completa, o carma adverso é inteiramente neutralizado.

    O efeito imediato destas influências é naturalmente, muito mais evidente nos níveis mais elevados de consciência que no corpo físico. O homem espiritual recebe todo o poder do santo ofício e a exaltação de espírito que isto produz torna-o apto a liberar forças que modificam enormemente suas responsabilidades cármicas. Durante o período em que está apto a manter este estado de exaltação, está adicionando carma favorável e neutralizando o adverso, porque libera forças beneficentes e com o decorrer do tempo se torna a corporificação das virtudes que se opõem a transgressão e erros que dão origem ao carma.

    Muito depende, entretanto, da profundeza de realização do suplicante bem como da duração de tempo durante o qual o homem natural e espiritual está apto a manter o estado de exaltação ao qual foi alçado por Nosso Senhor e pela cerimônia da igreja. A fim de obter os maiores resultados possíveis, a participação nos ofícios deve ser sempre precedida de uma preparação especial tanto do corpo como da mente; deve ser também acompanhada de um período de meditação até o final para que Sua "Graça possa assim impregnar tão intimamente nossos corações e possa ser manifestada continuamente em nossas vidas". Durante o resto do dia o adorador deverá manter viva na memória esta experiência, diligenciando tornar permanente a expansão de consciência produzida.

    Consideremos agora em detalhe o serviço de curas da Igreja Católica Liberal, pondo em relevo os efeitos produzidos em cada parte do ritual.

    ORAÇÃO DE ABERTURA:

    "Suplicamos-Te, oh Pai Celestial, que envies Teu anjo curador ministrar aos Teus servidores aqui presentes, a fim de que possam restabelecer sua saúde de mente e de corpo. Por Cristo Senhor Nosso".

    Um grupo de anjos da hierarquia dos anjos curadores aparece ao serem proferidas as palavras "Suplicamos-Te, oh Pai Celestial, que envies Teu anjo curador". Na clarividência, esta resposta aparece como uma fileira de presenças angélicas, se estendendo desde o Santuário até os mundos causais presumivelmente terminando no próprio poderoso Arcanjo Rafael. Estes anjos são principalmente de uma cor safira azul, brilhante, e uma corrente de poder daquela nuance especial desce pela coluna ou canal dentro do qual se formam seus corpos gloriosos e resplandecentes. Isto adiciona uma nova nota e uma nova cor as várias forças já presentes, e durante essa circunstância, predomina este tipo de poder.

    O CONFITEOR:

    "Oh! Senhor, Tu criaste o homem para ser imortal e o fizeste uma imagem de Tua própria eternidade; entretanto, freqüentemente nos esquecemos da glória da nossa herança e nos apartamos do caminho que conduz a retidão. Tu porém, oh Senhor, nos criaste para Ti e os nossos corações estarão sempre intranqüilos enquanto não encontrarem repouso em Ti. Olha com olhos do Teu amor nossa múltiplas imperfeições, e perdoa todos as nossas faltas, a fim de que possamos ser inundados do esplendor e tornar-nos o límpido espelho do Teu poder e a imagem de Tua bondade, por Cristo, Senhor Nosso. Amém".

    O Confiteor, se repetido com sinceridade e coração contrito, é a submissão do homem natural ao homem espiritual [da personalidade mortal à individualidade imortal].

    Os interesses e motivos materiais que normalmente tendem a dominar a vida diária, são transcendidos, e o adorador volta-se para seu Criador em profunda humildade. Como um resultado disto, duas das maiores barreiras entre Deus e o homem - a cegueira espiritual e o orgulho - são temporariamente abatidos. O homem natural torna-se receptivo e responsivo às influências altamente espirituais, que estão prestes a fluir através de sua própria natureza intima.

    A ABSOLVIÇÃO

    "Deus Pai, Deus Filho, e Deus Espírito Santo vos abençoe, preserve e santifique; o Senhor em Seu Amor e Bondade vos contemple e encha de graças; o Senhor vos absolva de todas os vossos pecados e vos conceda a graça e o conforto do Espírito Santo. Amém".

    A absolvição traz em si uma caudal transbordante de bênçãos, que liga o homem natural ao espiritual; corrige o alinhamento dos veículos da consciência e restaura todos seus ritmos alterados, de forma a vida divina poder palpitar livremente através deles; além disso, tende a expulsar pensamentos e sentimentos desarmoniosos e impuros. Durante algum tempo, a aura é pura e os corpos perfeitamente alinhados do eu inferior são melhor iluminados pela luz do superior.

    O VENI CREATOR

    No Veni Creator é invocada uma força adicional e colocada nas mãos dos anjos curadores e do sacerdote. É principalmente a do Terceiro Aspecto, e pode ser considerado o material ou energia com que os anjos trabalham.

    O EXORCISMO

    "Oh! Senhor, que deste ao homem saúde e vigor físicos para Te servir! Rogamos a Ti livrar Teus servidores de suas doenças tanto quanto possa ser conveniente para eles, e que o poder da Tua Bênção restitua-lhes a plena saúde, tanto externamente em seus corpos como internamente em suas almas. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém".

    O povo senta-se. Os que desejam ser ungidos são trazidos ao Sacerdote um a um e ajoelham-se sobre uma almofada. O sacerdote então diz para cada um:

    "No nome que está acima de todo nome, no poder do Pai e do Filho e do Espírito Santo", eu exorcizo todas as influências do mal, de forma que possas ser realmente purificado para receber este Sacramento da Santa Unção".

    O SERVIÇO DE CURA

    A resposta a prece que precede o exorcismo adiciona a força do Segundo Aspecto da Santíssima Trindade aquela já presente, e estas se combinam temporariamente para formar um reservatório de poder que os anjos preservam até o momento de seu emprego na unção e na prece que a acompanha. A força especial pela qual o exorcismo é realizado desce do reino da vontade espiritual com o poder procedente do nível da consciência Crística como uma influência associada.

    Neste ponto, pela operação da lei de correspondência espiritual que une os princípios mais elevados e menos elevados do homem, o duplo etérico do paciente é diretamente afetado, bem como os outros dois veículos da personalidade [emocional e mental]. O duplo etérico de uma pessoa doente inevitavelmente contém áreas congestionadas e agregações de matéria etérica impura e mesmo venenosa, que impedem a circulação das forças vitais. O exorcismo, se eficaz, instantaneamente reduz o grau de congestão e tende a expulsar o material venenoso do duplo etérico, permitindo desta forma um fluxo muito mais livre das forças vitais por todo o corpo. Se entidades indesejáveis tais como moléstias ou outros elementais obsedantes estiverem presentes, serão instantaneamente exorcizados dos veículos emocional e etérico. Isto também proporciona temporariamente ao Eu mais elevado do sofredor um contato livre e ininterrupto com seu corpo físico. Uma oportunidade única é então propiciada ao homem espiritual para liberar suas próprias forças curadoras e corretivas internas - agora enormemente aumentadas e reforçadas pelo serviço - e para transformar a atitude de sua personalidade numa outra mais intimamente harmonizada com a lei divina.

    Sem esta iluminação interior a mudança da atitude para com a vida, assim produzida, nenhuma cura seja espiritual ou física, pode ser permanentemente eficaz. A não ser que o sofredor tenha aprendido sua lição e dominado em grande parte a fraqueza de caráter, haverá sempre o perigo de se repetir o mal produtor da transgressão - O verdadeiro "curador" deve ao mesmo tempo educar e curar.

    O efeito final do serviço de cura, ou de qualquer outra forma de cura espiritual, depende em grande parte da habilidades do paciente na plena utilização do privilégio que recebeu: se ele tiver completo sucesso, estará habilitado a estabelecer um livre fluxo de força-vida através de todos os seus corpos e tornar permanentes as diversas transformações temporárias que a cerimônia produziu.

    A UNÇÃO

    Tomando sobre seu polegar um pouco do santo óleo dos enfermos, o Sacerdote unge a pessoa em forma de uma cruz na testa, dizendo:

    "Em nome de Nosso Senhor, o Cristo, e invocando o auxílio do Santo Arcanjo Rafael eu te unjo com óleo para que tenhas alívio na alma e no corpo".

    Na unção o Arcanjo Rafael é definidamente atraído, e pode assistir pessoalmente ou manifestar seu poder e sua presença através dos anjos de sua hierarquia, que estão já em função. Isto, naturalmente, aumenta a soma de poder utilizável e ajuda os anjos a aplicá-lo. O centros de força [chakras no corpo etérico] no paciente, que estão situados onde o óleo é aplicado, começam a girar com mais rapidez e a executar com mais perfeição sua dupla função como canais para a vida-força e órgãos para a manifestação do poder e consciência super-físicos. Isto une o Eu superior ao eu inferior ainda mais intimamente, e torna possível ao primeiro uma participação maior no trabalho de cura.

    O sacerdote continua a ungir, da mesma forma anterior, mas em silêncio, o centro no alto da cabeça, a frente da garganta e a nuca. Coloca então, ambas as mãos sobre a cabeça da pessoa, com definido intento de curar, dizendo:

    "Cristo, o Filho de Deus, vê a tua aflição e cura-te de todas as tuas enfermidades. Possa a Luz do Seu Amor, envolver-te para sempre".

    Uma descida do poder verdadeiramente curador ocorre do nível da Consciência Crística através de todos os veículos enquanto se profere esta bela prece, fazendo-os brilhar com a maravilhosa luz amarela, que é a característica desse nível. Ao mesmo tempo o poder que foi recebido durante a primeira parte do serviço é agora liberada, inundando o homem natural.

    Na linda sentença final da prece, um fluído maior de poder e vida adicionais se derrama através do oficiante. Esta influência maravilhosa impregna e amplia a aura do sofredor; envolve-o numa atmosfera de bênção e amor o mais espiritual, tornando-o temporariamente insensível às vibrações desarmoniosas do mundo externo. Isto o auxilia a manter o estado de exaltação ao qual foi alçado, e a permanecer no êxtase de comunhão e união intimas com seu Senhor.

    Como previamente sugerido, deve-se fazer um esforço definido para manter este estado de consciência e resistir a tendência da aura de retornar a sua medida original de vibração. Repetidas preces e meditações combinadas com auto-recolhimento serão excelentes meios auxiliares para conseguir isso.

    A BÊNÇÃO

    O sacerdote volta-se para o povo:

    "Ao amor e proteção de Deus, cheios de graça, nós vos entregamos, o Senhor vos abençoe e guarde; que o Senhor faça Sua Face resplandecer sobre vós e seja cheio de graça para convosco; que o Senhor eleve a luz de Seu Semblante sobre vós e vos dê Sua Paz, agora e para todo o sempre. Amém".

    Na Bênção os adoradores são finalmente entregues à proteção do Senhor. Um adicional fluxo de poder desce ainda sobre eles, fazendo suas auras aumentar bastante em tamanho e luminosidade, e alçando seus Eus superiores a um estado de exaltação espiritual.

    Como vimos, o grau em que todas estas influências afetam efetivamente o corpo físico depende em grande parte dos próprios pacientes. Se eles já estabeleceram contato estreito com seus Eus superiores, por meio de preces e meditação preparatórias, a personalidade receberá um poderoso e rico fluxo dos poderes e bênçãos que então jorram abundantemente. Se não conseguiram isto, o serviço os auxiliará nesse sentido, e a cura será proporcional a sua receptividade aquele auxílio. O grau de extrema sinceridade com que o Confiteor é pronunciado determina consideravelmente o grau em que o poder curativo se torna manifesto.

    O valor de executar um serviço curativo depois da celebração da Santa Eucaristia se torna aqui evidente; não poderá haver um meio melhor de preparar sofredores para a descida do santo amor curativo e de habilitá-los de maneira mais integral às forças empregadas na administração do Bendito Sacramento.

    O efeito principal do serviço produz-se nos veículos mais sutis e muito particularmente no corpo astral. Variam as pessoas grandemente no grau em que conseguem esquecer de si mesmas e manter-se receptivas ao poder curativo do Senhor. O método cerimonialístico de treinamento espiritual é do máximo auxílio na obtenção do auto-esquecimento que é a base da verdadeira espiritualidade. Uma fé sublime na Compaixão e Sabedoria de Deus, uma convicção absoluta de Seu Poder e uma completa submissão à Sua Vontade, tanto da parte do Curador como dos curados, serão essenciais ao êxito completo na cura espiritual. O próprio Nosso Senhor não poderá curar se estas condições estiverem ausentes, pois lemos, que "Ele não fez ali muitas maravilhas por causa da incredulidade deles" (Mat. I3:58).

    Tais qualidades são sumamente raras na atualidade e é, portanto, natural que em sua maior parte, o serviço de cura parece produzir maiores resultados nos mundos invisíveis do que no visível.


    CAPÍTULO VI
    A MISSA

    A celebração da Santa Eucaristia é um método cerimonial e sacramental de despertar, acelerar e liberar os poderes da Divindade em toda forma de vida. Executado com propriedade e produzindo seus resultados ideais evoca os poderes da Santíssima Trindade profundamente ocultos em toda forma sob sua esfera de influência, no sacerdote, nos servidores, na congregação encarnada e desencarnada, nos santos anjos, nos espíritos da natureza, no material dos edifícios e seus móveis, e mesmo nos arredores naturais fora da Igreja.

    De um ponto de vista exclusivamente humano, a Missa poderia ser encarada com um método de meditação por cujo meio o adorador passa progressivamente a uma união cada vez mais íntima com o seu Deus interno, e especialmente com o Segundo Aspecto, ou Aspecto Sabedoria da Divina Trindade, que é o Filho. Este processo atinge sua culminância na recepção do Bendito Sacramento quando em Seu mais divino amor, o Senhor Cristo, tornado manifesto na Hóstia, torna-se uno com o comungante.

    Grandes torrentes de força e bênção são também liberadas sobre o mundo, sempre que se realiza a Missa. Todo ser atingido por elas é abençoado, e experimenta um despertar de sua divina consciência interna.

    Estes três resultados de aceleramento, de união e benção se alcançam de duas maneiras. A primeira é a evocação dos triplos poderes dentro de toda a vida manifestada nas circunvizinhanças imediatas e nas esferas de influência da igreja, e seu emprego pelos oficiantes, anjos e congregação para a produção dos grandes resultados visados pela cerimônia. A segunda é a externa projeção da bênção e da força estimuladoras.

    Esta é extraída de muitas fontes, se bem que a força primária deva ser a do Logos - mais especialmente em Seu Segundo Aspecto - e a do Próprio Senhor Cristo, como o glorioso Representante do Filho de Deus na Terra. A isto é adicionado o poder dos oficiantes, dos anjos, da congregação, dos quatro elementos da terra, ar, fogo e água. Todas estas várias correntes de força são unidas em uma grande torrente, a qual é espargida primeiro sobre a congregação e depois sobre o mundo.

    Ao examinarmos estes resultados do ponto de vista humano e angélico, notamos que o seu efeito mais direto suscita o Eu espiritual em cada um, aumentando-lhe a atividade e vida auto-conscientes. Poucos homens, no presente estágio da evolução, se acham amplamente despertos nos níveis espirituais da consciência. A Missa ajuda-nos a acordar de nossos devaneios egoístas e a começar a expressar aqui em baixo os elevados poderes entesourados no "brilhante Augoeides" do homem. O derradeiro propósito deste maravilhoso auxílio que o próprio Nosso Senhor nos designou, é que possamos atingir o estado da "medida da estatura da plenitude do Cristo" (Ef. 4:13) e não mais necessitaremos de auxílios externos. Então seguiremos Seu exemplo mais glorioso e a nosso turno nos tornaremos Salvadores de homens.

    Um oficiante espiritualmente avançado, trabalhando com sacerdotes altamente treinados, está apto a ajudar-nos enormemente pelo fato de sua própria consciência estar espiritualmente desperta: pode dar-nos uma certa auto-consciência "vicária" nos níveis mais elevados partilhando conosco seu próprio poder e desenvolvimento durante a celebração da Missa. Por estes meios somos alçados acima de nosso estado normal e nos capacitamos a viver durante algum tempo em nossos Eus mais elevados e, portanto, a participar da cerimônia e a ajudar na produção de seus dois efeitos principais em um grau que de outra maneira não nos seria possível. Um tal oficiante está apto a incluir os egos de sua congregação no seu próprio, e a permitir a seu povo participar de sua própria auto-consciência espiritual vividamente desperta

    A cada membro da congregação é oferecida uma grande oportunidade espiritual. Cada um deles tem sua participação no trabalho da Missa, e durante a sua realização, deve absorver-se completamente naquele trabalho. Seria da maior importância, portanto, que cada adorador tentasse por si atingir o mais auto grau de despertamento. Isto pode ser melhor atingido por um regular sistema de auto-preparação, pela meditação diária, pelo estudo dos assuntos espirituais e por uma vida de serviço ao inundo. São muitos os livros de instrução espiritual já escritos e chama-se especialmente a atenção do aspirante para os livros de J. Krishnamurti, da Dra. Besant, do Bispo C.W.Leadbeater, Bispo J. I. Wedgewood, e Bispo G. S. Arundale. O próprio autor contribuiu com três livros aos muitos agora acessíveis. Seus títulos são: "Primeiros Passos na Senda" - "Assim eu Ouvi" - e "Sede Perfeitos".

    O Senhor Krishnamurti ensina particularmente a conveniência de atingirmos a realização espiritual e auto-emancipação por nossos próprios esforços, independentes de auxílio. Seus ensinamentos são, portanto, de suprema importância a todos os que aspiram a expansão espiritual. Mais de uma vez, ele proclama a verdade antiqüíssima de que o homem possui dentro de si todos os poderes necessários a este empreendimento. Ele inspira e ilumina os que o ouvem falar e que lêem seus livros, com algo do poder de sua própria exaltada consciência espiritual.

    Há também muitos pontos na cerimônia em que se sugere um esforço para encontrar a realização interior. Em todas as referências à Santíssima Trindade, por exemplo, podemos pensar e esforçar-nos em realizar o Pai, o Filho e o Espírito Santo em cada um de nós. Além de projetar adoração aquela Trindade, objetivamente poderíamos resolutamente tentar despertá-la subjetivamente, de forma que Ela resplandeça em nós mais e mais durante a ministração do serviço e finalmente governe nossa vida diária. A invocação da abertura, o Intróito, e o Kyrie que a acompanham, oferecem oportunidades para este esforço. A Prece do Senhor [Pai Nosso] é um auxílio maravilhoso para essa realização, tanto no serviço como em devoções particulares, porque principia com um apelo direto ao Deus dentro de nos - o "Pai que está no Céu" - para emitir-nos Seu triplo poder a cada dia, e finaliza com uma dedicação do eu inferior ao serviço do Eu superior durante os dilatados períodos da peregrinação humana. Toda vez que os vários salmos e cânticos terminam com louvores à glória da Trindade, como freqüentemente o são em nossos serviços de igreja, deveríamos procurar despertar a Trindade dentro de nós próprios. Podemos pensar, não somente na glória da Trindade externa que é o Logos, mas também no Deus Trino em nós, e afirmar Sua glória ali, de forma que Ele possa resplandecer e iluminar nossas vidas.

    Mesmo os espíritos da natureza que ainda não atingiram espiritualmente a existência individual, acham mais fácil a senda para aquela realização, enquanto que seus irmãos mais velhos das hostes angélicas experimentam um aceleramento de toda a sua natureza interna por sua participação na cerimônia da Missa.

    Talvez o propósito e efeito da celebração da Santa Eucaristia que os devotos cristãos mais apreciam seja a manifestação direta do poder, amor e presença do Senhor Cristo: porque, além do despertar da consciência crística e qualidades crística no homem, anjo e na Natureza, a Presença real e vida de Nosso Senhor se torna manifesta. Em Seu mais terno amor, Ele aparece em nosso meio no mistério da transubstanciação, bem como no maravilhoso Anjo da Presença que resplandece com Sua imortal beleza e está cheio de Sua divina compaixão. Devido à Sua própria Presença na Eucaristia pode-se experimentar um sentido mais profundo e duradouro de união espiritual e de íntima camaradagem com o Senhor, na cerimônia que ele instituiu para ajudar-nos nessa direção.

    Na Liturgia Católica Liberal, somos preparados para esta consumação pela linda prece:

    "A Ti, Ser Perfeito, o Senhor de Amor dos homens, confiamos nossa vida e esperança. Pois Tu és o Pão Celestial, a Vida de todo o mundo; Tu estás em todos os Iugares e sustém todas as coisas, o Tesouro de infindável bem e a fonte de infinita Compaixão".

    Imediatamente após receber o Santo Sacramento, toda a congregação se une ao sacerdote, afirmando:

    "Sob o véu das coisas terrenas comungamos agora com Nosso Senhor Jesus Cristo; logo o contemplaremos face a face e regozijando-nos em Sua glória, nos tornaremos semelhantes a Ele. Então Seus verdadeiros discípulos serão levados por ele, com inexcedível alegria, ante a presença da gloria de Seu Pai". Esta ministração celeste não se limita apenas à congregação, porque enquanto ela ocorre, poderosas forças estão sendo desencadeadas sobre o mundo. Ainda que os efeitos espirituais produzidos fora da igreja por esta irradiação de luz e poder não sejam comparáveis aos produzidos dentro dela, são contudo muito benéficas ao povo e circunvizinhanças e atingem a uma distância de pelo menos uma milha [cerca de um quilometro e meio]. Onde houver uma igreja dentro da área em que o Sacramento é guardado, essa igreja agirá como uma estação em cadeia, da qual o poder é retransmitido, para alcançar uma área mais vasta: além disso, seu poder individual é acelerado e aumentada a esfera de influência. Assim o poder e benção da igreja circulam, de estação em estação, por todo o mundo.

    Um quarto resultado dos serviços Sacramentais regulares da igreja, é o estabelecimento de centros de força, que dia a dia se tornam mais fortes, mais firmemente estabelecidos a medida que se repetem os serviços. Um centro extremamente poderoso existe na Igreja de São Miguel e de Todos os Anjos, em Huizen, na Holanda. Muitas milhas antes de penetrarmos aquele distrito, nossa consciência é despertada e atingida por um poder que se aprofunda a medida que nos aproximamos mais e mais do seu coração, que é a própria igreja. Efeitos similares são produzidos por várias velhas catedrais do continente europeu e na Inglaterra e em menor grau por toda a igreja cristã. O autor ainda não visitou os países de outras crenças, porém não duvida que acontece o mesmo, em graus diversos nos templos e mesquitas das religiões orientais.

    Examinemos mais de perto alguma das forças que são empregadas para produzir estes vários resultados. Como foi dito, uma das grandes forças, a força central da qual todas as outras emanam, é a da Santíssima Trindade manifestada em nosso sistema solar, em nosso planeta e em nós próprios. Infelizmente a realização espiritual é extremamente rara em nossos dias. Os sacerdotes executam as ações prescritas e repetem as palavras escritas, porém na maior parte têm pouco ou nenhum conhecimento dos efeitos produzidos por tais ações e tais palavras. Entretanto, o sacerdote altamente proficiente, trabalhando com conhecimento direto, pode conscienciosamente evocar essa Trindade oculta. Pode deliberada e conscienciosamente usar a Missa e seus próprios poderes despertos para suscitar a trina Divindade em sua congregação, nos anjos, na matéria ambiente, nas árvores, plantas e flores, no próprio solo em que a igreja se ergue, e no material de que está construída. Sob esta influência estimuladora a vida, consciência e poder subjacentes resplandecem cada vez com maior brilho enquanto se executa a cerimônia e num centro como o de Huizen, no qual as mesmas pessoas ajudam diariamente e são diretamente treinadas para participar conscientemente nos aspectos internos e externos do serviço, o efeito é muito mais marcante. Ao final do serviço os Eus espirituais da congregação parecem tornar-se manifestos através da carne e ajoelhar-se ante o altar para receber o Bendito Sacramento.

    Dos três aspectos da Santíssima Trindade, o Amor-Sabedoria de Deus é especialmente manifesto através da Presença de Nosso Senhor. Eu Seu cargo de Instrutor do Mundo, e de Fundador da Fé Cristã, Ele também manifesta e libera forças do grande reservatório da energia espiritual pela qual todas as religiões do mundo são inspiradas. Um dos propósitos da Missa é sugar desse reservatório, de forma a liberar as águas da vida nele depositadas.

    As forças de cada um dos sete poderosos Espíritos ante o Trono também são evocadas sobre o mundo. Também aqui a presença de um oficiante cuja visão espiritual esteja desperta, difere maravilhosamente no grau em que estas elevadas forças são evocadas. Este poder desce em sete grandes Raios(1) nos mundos interiores, e no externo através de sete grandes candelabros e sete cruzes, cada uma das quais, na igreja Católica Liberal, é dedicada a servir de canal de um dos Raios. O sacerdote treinado evoca o poder de cada Raio, de sorte que ele resplandeça e flua através da jóia consagrada ao candelabro e na cruz dentro da igreja. Esta força desperta e estimula o poder e qualidades daquele Raio em cada membro da congregação. Os grandes anjos que são os representantes dos Sete Poderosos Espíritos entre as hostes angélicas, derramam suas bênçãos e seu particular tipo de poder para o enriquecimento de todo o serviço e auxílio do mundo.

    (1) Vide "Os Sete Raios" de Ernest Wood.

    A despeito do rápido progresso da Ciência moderna, restam ainda muitas formas de energia, muitas forças naturais, que nenhum cientista físico descobriu ainda. Entre estas estão os típicos poderes dos quatro elementos, ou princípios, da terra, água, ar e fogo, com cada um dos quais está associada uma ordem ou raça de espíritos da natureza e dos seres angélicos.

    Na ciência espiritual e, particularmente, na Missa, estas forças da Natureza são evocadas e usadas num grau considerável. Durante o Ofertório as forças dos quatro elementos são invocadas através da Pedra do Altar, que está no seu centro, e sobre a qual repousa o Cálice. As inteligências correspondentes também são evocadas e empregadas. Poderosas energias residem em nosso globo físico e especialmente no grande princípio da Natureza denominado o elemento da terra.

    Uma tentativa para projetar nossa consciência no interior da terra revela o fato de que no centro deste planeta, há um poderoso reservatório de energia solar . Isto pode ser encarado como uma estação retransmissora, através da qual algumas das forças do próprio Sol são liberadas por todo o planeta. A ciência está iniciando a descoberta disto em suas manifestações elétricas e magnéticas; o sacerdote que é um taumaturgo, conscienciosamente as evoca e a grande ordem de anjos e espíritos da natureza a ela associados adiciona seu esplendor, poder, inteligência e beleza a adoração e devoção humanas, que estão sendo ofertadas ao Mais Elevado.

    Da mesma forma os poderes do ar e a grande ordem dos silfos, ou anjos do ar, podem ser atraídos pelo oficiante para a aura da igreja quando os elementos são oferecidos. A água e o fogo também se manifestam até certo ponto, segundo o poder e o conhecimento do oficiante. Quando a igreja está perto do mar, como em Huizen, na Holanda, onde foram colhidas muitas das informações em que se baseia este capítulo, apresentou-se uma magnífica oportunidade de reunir grandes hostes de membros da ordem dos anjos da água e espíritos da água. É possível ao sacerdote, se suficientemente avançado, dilatar bastante a sua consciência e lançá-la a grande distância até o Mar de Zuides, em cujas praias está construída a igreja e reunir as hostes da água, a fim de que elas e todas as suas forças convirjam para o altar. Depois o sacerdote pode liberá-las para enriquecer o jato de poder e bênção sobre o mundo produzindo os vários resultados que a Missa visa atingir.

    Durante as condições especiais criadas, numerosos anjos têm sido atraídos para Huizen. Eles assistem as cerimônias mais importantes, e juntam-se- ao canto e aos atos de adoração e prece. Algumas vezes muitos deles descem dentro da igreja e se ajoelham ao lado dos vários devotos humanos. Outras vezes contribuem com o poder de suas consciências mais elevadas e vívidas permanecendo sobre este ou aquele adorador, para ajudá-lo a expressar-se mais livremente, ou mantendo o poder descencional da cerimônia e dirigindo-se mais definidamente para as mentes e corações de diferentes pessoas. Isto, em si, é um belíssimo trabalho, porque esses anjos, em seu terno amor pelos homens e sua reverência por Nosso Senhor, que é o Instrutor dos anjos e dos homens, aproximam-se mais de nós e ajudam-nos a dar e a receber de Sua benção e Sua graça tanto quanto pudermos. É bom nos recordarmos disto algumas vezes, durante o serviço; quando nos levantarmos de nossos joelhos, sentindo-nos soerguidos e inspirados, pouco sabemos o quanto devemos aos serviços das hostes angélicas.

    A cooperação, o poder e a bênção da Grande Fraternidade Branca, e especialmente a de Nossa Senhora e de certos Mestres de Sabedoria formam uma outra poderosa corrente de força que ilumina e enriquece o trabalho da igreja. Todos os Grandes Seres respondem instantânea e infalivelmente as preces e invocações endereçadas a Eles, durante o serviço.

    Outra ordem de poder empregado durante a Missa, é a energia emocional, mental e espiritual gerada e liberada por todos os participantes; inclui a do oficiante, de todos os sacerdotes e servidores, da congregação tanto vivente como "morta" [desencarnada], e dos anjos e espíritos da natureza presentes. Todas estas numerosas correntes são fundidas pela cerimônia, e especialmente pelo anjo diretor em cooperação com o sacerdote. Se o oficiante é suficientemente adiantado, ele enriquece tudo isto, repartindo seus grandes poderes com todos os participantes do serviço. Se um dos assistentes não está executando sua tarefa tão efetivamente quando poderia, instantaneamente do oficiante principal emana uma energia e poder que completam o trabalho. Se o incensamento, por exemplo, é feito por alguém muito jovem de corpo, embora velho de alma - demasiado jovem para produzir grandes efeitos extras - instantaneamente o poder do sacerdote avança e enriquece o seu trabalho, e zela para que tudo seja feito em ordem e tão esplendidamente quanto possível. Em todo este trabalho oculto de modo algum interferem as atividades físicas que se processam, pois o verdadeiro sacerdote desenvolve a técnica do emprego destas forças com o auxílio de sua consciência superior, ao passo que conserva sua plena eficiência e perfeição de ação no corpo físico. Esta é uma das grandes faculdades que o método cerimonial desenvolve.

    A adoração, o amor, a devoção e a cooperação inteligente de uma congregação treinada aumentam enormemente o poder da cerimônia. A riqueza da força descencional que eles evocam é um tanto proporcional ao grau em que estas qualidades estão presentes, embora pareça haver um mínimo irredutível de esplendor e beleza, que é produzido pela cerimônia da Missa, toda vez que é celebrada; e isso em si, é de uma glória além de toda nossa compreensão. Quando, entretanto, a Missa é usada e celebrada com inteligência, e com todos os poderes extras de um sacerdócio altamente espiritualizado, e de uma congregação perseverante e eficiente, esse mínimo é largamente excedido. A descida e o derrame de poder e bênção do alto sobre o, mundo, é de um esplendor acima de qualquer descrição. O Bispo C.W. Leadbeater relatou-nos esse esplendor oculto em sua magnífica obra "A Ciência dos Sacramentos". Ao lado de sua descrição seria penosamente desajeitada qualquer tentativa que fizesse a pena menos inspirada do autor.

    Há, entretanto, ainda outras forças utilizadas no culto da igreja, que por seu interesse e valor merecem ser investigadas. Cada um dos símbolos e ícones, por exemplo, estão em seus próprios canais de poder. Um símbolo corresponde à força superfísica, justamente como uma palavra corresponde a uma idéia. Quando uma palavra é pronunciada, o sentido da palavra é manifestado, é realizado, e o poder contido na idéia dessa palavra é então liberado. Quando um símbolo é construído e exposto para fins do cerimonial, as forças espirituais, de que ele é uma forma expressiva, manifestam-se em determinado grau e quando os símbolos são empregados conscienciosamente, como nos processos sacramentais, tornam-se animados de poder vivente e as grandes forças atrás deles são então liberadas.

    O simples ato do oficiante ao fazer o sinal da cruz no ar, libera uma tremenda energia, cujas qualidade e espécie são determinadas pela sua intenção mental ao fazê-lo. Ele pode atrair os poderes da Vontade Espiritual, da Intuição ou da Inteligência Superior, por exemplo, ao fazer o sinal da cruz. Quando executa o símbolo no ar, visivelmente brilha nos mundos emocional e mental, uma cruz cintilante de luz e cor, que é uma entidade vivente criada por ele, e que pode subsistir por muitas horas e mesmo dias. Quando, por exemplo, durante uma procissão, um bispo faz cruzes ao passar, deixa atrás de si uma bela cadeia de coisas viventes, cada uma irradiando a força por trás do símbolo da cruz e, em adição, o tipo particular de poder que ele lhe imprimiu. Pode também aumentar a durabilidade e eficiência destes poderes viventes, associando-lhes um espírito da natureza, de sorte que possam tornar-se seres inteligentemente dirigidos e ativos no trabalho durante um certo período de tempo.

    Quando se estudam estas forças ocultas, torna-se cada vez mais claro que o culto da igreja é um meio maravilhosamente ordenado e cientificamente disposto para espiritualizar o mundo e auxiliar o homem a aproximar-se e por fim unificar-se com Deus.

    Esta grande consumação se acha prefigurada na administração do Bendito Sacramento. Nessa ocasião, a própria presença do Senhor se torna manifesta no serviço com uma proximidade e intimidade além de toda suposição. A partir do momento da Consagração, Sua Presença se torna cada vez mais íntima da Igreja. Opera-se uma transformação maravilhosa na Hóstia, e que é visível a quem quer que tenha a mínima extensão de visão oculta. A Hóstia se torna cintilante e maravilhosa, e a matéria de que está composta parece uma finíssima película, envolvendo o radiante e dourado esplendor da vida crística nela manifestada. E depois no ato da comunhão, parece como se, de um modo para nós indescritível, Cristo e Seu devoto se tornam unos. A transubstanciação parece ocorrer no próprio comungante ao receber o corpo e sangue espirituais de Cristo. As vezes ocorrem transformações maravilhosas na aparência dos devotos nos mundos ocultos, pois parecem tomar de Cristo e brilham com uma dimensão de Sua beleza e Sua luz.

    Estamos aptos a recebê-Lo desta maneira, segundo o grau que Ele esteja desperto em nós. Qualquer que seja essa dimensão, a resposta lhe será equivalente, de forma que o cálice de cada adorador é plenamente cheio. Nada falta na ilimitada beneficência com que Ele Se dá a todos os que d'Ele se aproximam em Seu Altar.

    Assim Ele trabalha através dos séculos, por meio de Sua Fé Cristã, vertendo Sua vida e amor de forma que Seu povo possa ascender como Ele. Gradualmente todo o gênero humano se aproxima da época em que tal auxílio externo não mais será necessário, quando o Cristo-Infante que Ele ajuda a nascer em cada coração humano, tiver atingido a "medida da estatura do Cristo". Então, por Suas obras, Ele terá auxiliado o Criador de todos os mundos a produzir uma raça de Salvadores de homens.

    FIM