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    batet

     

    Caras Irmãs e Irmãos em Cristo:

     Nestes dias de Semana Santa, onde o coração do praticante se volta mais receptivo à vida religiosa, nos perguntamos, que lugar ocupa a Religião em nossas vidas?

    Páscoa, como todas as grandes Festividades religiosas, têm vários aspectos que são importantes para nós, seu aspecto histórico-simbólico e cosmogônico, e também, quiçá o mas importante que parte prática, ocupa esta Grande Comemoração religiosa em nossas vidas, em nossas mentes , na profundidade interna de nossos corações.


    No atual estado de evolução da humanidade, o Eu, resultado de nossa experiência através do tempo até o presente, foi desenvolvido e vigorizado por nossa personalidade.

    Quando nossa constituição interior se desenvolve ainda mais, quando nosso espírito chega a manifestar suas qualidades inerentes, quando aumentamos nossa participação no espiritual, quando acordamos as divinas qualidades da Divina Consciência, então “conquistamos” o Eu e participamos da Divina Sabedoria, do Divino Amor. Os Santos e Místicos Cristãos tiveram noção desta “consciência cósmica”, experimentaram e manifestaram esse Amor, circundaram o divino amor, sentiram, bem que muito parcialmente, algo da “união com Deus”.


    Esta experiência é o futuro da cada ser humano, sendo o final de sua “roda” de nascimentos e mortes. Na longa série de vidas cheias de experiências externas e internas, o homem atinge “resurreição”, “libertação”, “salvação”, a unidade mística com Cristo, com Deus. Nosso Credo diz: “todos os Seus filhos um dia chegarão aos Seus pés por muito que se tenham transviado”. Então participaremos de Sua consciência. Seu Amor, Sua Divindade.

    Este é o “Deus Interno” que na teologia cristã deve substituir ao “Deus nas alturas”. -Deus está em Cristo e Cristo em nós. Ele nos adverte: “Estai em Mim, e Eu em vós” (João 15:4). Este “em vós” significa “no interior de vossa consciência”. Isto deve ser realizado dentro de nossa consciência desperta; então experimentaremos a “união com Deus”, então “conheceremos a Deus”. Esta potencialidade, que Deus é o Deus Interno, é o que a Igreja Cristã deveria ensinar; o prazer antecipado do qual nos é dado já na Eucaristia e nos demais Sacramentos.
     

    Acho que a liberdade espiritual, a verdadeira liberdade interna, a única que nos fará realmente livres, é a manifestação desse “Deus Interno”, e quando isto se produz, então, a maravilha e o milagre da Páscoa se manifesta em nós e podemos proclamar que Deus nos fez livres, mas livres de nós mesmos e é a verdadeira Ressurreição dos Mortos.

    O Mistério da Tumba e o do Sepulcro, como símbolo externo da ignorância humana, se iluminam, quando a luz de Cristo (a Sabedoria de Deus) ilumina a alma e esta é ressuscitada na Glória Sempiterna de Deus, unindo Ele ao Homem Eterno. Tal é o símbolo da Páscoa.


    O Mistério Pascal fala-nos da Ressurreição da vida sobre a morte, no mistério da morte e ressurreição do Senhor. Agora então, como todo grande Mistério, podemos, dentro do marco da mais ampla gama de possibilidades, contemplar o dito Mistério; como a Ressurreição da Vida e a Luz triunfam sobre as Trevas.


    Penso que não devemos pensar tanto na ressurreição como voltar à vida, senão como, no triunfo da Lei de Deus, fora da qual, nada pode ser, e não cai uma folha de uma árvore sem que seja o produto dessa Grande Lei que é a Causa do Tudo.


    Que a atenta observação em nosso interior, a mente e o coração, unidos, em conjunto, como veículos do verdadeiro homem interior, nos faça refletir, sobre como podemos mudar nosso meio, sendo os responsáveis diretos do que ocorre, e que nem sempre o aceitamos, uma vez que sempre iludimos a responsabilidade direta ou indireta do que ocorre a nosso redor. Podemos mudar, podemos mudar nosso meio, podemos mudar o mundo? Por onde começar? Acho que o homem interior começa a mudança profunda e séria desde seu interior para um reflexo externo, tanto em seus pensamentos, emoções e ações.


    Se olhamos ao nosso redor, a vida nos depara um sem número de oportunidades de viver em Unidade, em verdadeira e profunda Unidade de consciência. Vivemos enfrentando-nos uns a outros, até em níveis de suposta espiritualidade, onde se fala de muita vida espiritual, mas as circunstâncias da vida diária, dizem o contrário. A mesma Igreja, é um claro exemplo disto, falamos e repetimos as palavras do Mestre: “Nisto todos conhecerão, que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros...”.


    Em toda grande religião, se apresentam os Mistérios de forma dual, isto é, um com acesso mais livre para o praticante dessa religião, e estes mistérios menores, se apresentam, como histórias, fatos ocorridos, personagens importantes que intervêm na história narrada, etc. Mas quando podemos ter acesso aos Mistérios Maiores, procurando as profundezas mais recônditas da vida nos ensinamentos de uma religião, então poderemos chegar às profundidades mais penetrantes desses mesmos Mistérios, mediante nosso próprio conhecimento ou compartilhado com grandes pesquisadores viventes desses mistérios.


    Os Mistérios da Páscoa, diz-se, são de uma antiguidade que nos assombram. Se nos puséssemos somente pesquisar a origem da palavra “Páscoa”, ficaríamos atônitos com uma série de detalhes escriturais e históricos assombrosos, que a meu entender nos falam claramente de uma herança antiquíssima, da qual o Cristianismo tomou de antigas religiões e obviamente dos mistérios tanto menores como Maiores, símbolos, ritos, ensinos, cosmogonias, escatologias e escrituras foram incorporadas à nova religião por sucessivos fatos e pesquisadores e místicos, observadores livres de antigas religiões.


    O dia da Quinta-feira Santa é o dia da instituição da Sagrada Eucaristia, comemora-se a instauração da Ordem Sagrada, isto é o canal que Nosso Senhor Cristo mesmo, e em vida, instaurou, para que todos os demais meios de graça, os sacramentos, pudessem se manifestar, portanto neste dia é tradição na Igreja celebrar também o sacerdócio, sem o qual, o povo, isto é a igreja, não poderia receber os dons espirituais internos dos sacramentos, que o Mesmo Senhor instituiu.


    Na profundeza do simbolismo e Realidade espiritual do Pão e do Vinho e o Graal, temos um extraordinário fato de Cosmogonia e do Caminho Espiritual, e, no dia da Quinta-feira, que comemoramos a instauração por Nosso Senhor, da Santa Eucaristia, podemos contemplar o profundo simbolismo interno deste fato. Poderíamos dizer, que neste dia, desde o ponto de vista sacramental, é o dia mais importante na fé católica. Porque um sacramento é o embasamento central do lado católico da cristandade.


    A dra. Annie Besant, em sua obra Miscelâneas Teosóficas, diz à respeito do Mistério do Graal, ou Taça Sagrada:
    ... “Encontramos que em suas origens os Mistérios de Jesus exerciam na Igreja cristã exatamente o mesmo papel que o treinamento no Yoga, no Hinduísmo ou no Budismo.Eram esses os meios pelos quais o verdadeiro crente entrava em contato com os mundos superiores.Mas, quando o homem tinha aprendido tudo o que podia no circulo exterior da Igreja, quando se servia dos sacramentos como meio de graça, de sorte que ele podia dizer que sua vida era pura, que já não tinha, fazia tempo “cometido” conscientemente “nenhum erro”, então lhe era permitido se apresentar como candidato aos Mistérios de Jesus.No seio desses Mistérios, as realidades substituíam ao mecanismo exterior do sacramento.Não era então, por um dom exterior como no sacramento senão pelo esforço e pela luta que atingia a visão da vida espiritual.Qual é o significado interno do Graal, e como seus pontos essenciais se relacionam com o sacramento cristão?Os dois são diferentes e, no entanto semelhantes.Num, encontramos a forma exterior do pão e o vinho simbolizando o Corpo e Sangue de Cristo; no outro, o Cálice Sagrado na qual, se dizia, que o sangue do Cristo brilha, uma vez ao ano, como uma luz viva e purificadora.Nos dois temos um símbolo exterior. Mas no sacramento este símbolo exterior é dado ao crente para que, sem esforço de sua parte, o Ser fora dele se unisse ao Ser mais débil que está nele.No Graal ao invés, é pelo esforço e pela luta, pela tentação e a vitória que a visão se faz possível” ...

    Portanto o símbolo do Cálice Sagrado, é verdadeiramente Renovação Espiritual e ao ser unido ao Mistério da Ressurreição, é onde o mistério da Vida em evolução atinge a meta da evolução humana, e está claramente manifestado no simbolismo do Mistério da Ressurreição da Páscoa.


    Tenhamos Fé, Esperança e Caridade.


    A Fé é necessária para sustentar-nos em nossos ideais, que num dia sem pressões de nenhum tipo decidimos abraçar. A fé não é uma crença cega num dogma, ou numa autoridade que proclama ou uma panáceia espiritual. A Fé verdadeira é uma realidade interna, da qual se diz que é muito raro poder falar e a descrever em palavras da mente. Quiçá porque não é produto dessa mente que tudo analisa, mede, classifica e recusa ou aceita. A Fé interna dá-nos a segurança verdadeira que uma Verdade o é por que o sentimos internamente desse modo.


    O mundo e o homem não poderiam se sustentar sem Esperança, que não é uma alegria sem sentido que embota, tal como ocorre no mundo globalizado de hoje, onde o ser humano segue a moda, as idéias, o gosto e o sentido do momento, tão só porque dá um prazer muito tolo e frágil do que nos rodeia. Tudo é sem sentido na grande maioria das pessoas, a mesma realidade religiosa não termina nunca de sair dos parâmetros da crença cega e sem embasamentos profundos de realização. A Esperança interna é aquela que nos dá a crença profunda de que tudo quanto ocorre a nosso ao redor tem um porque, que Deus tem um Plano maravilhoso e esse Plano é a Evolução, que uma Justiça perfeita regula o mundo e que todos os seus filhos (como dizemos em nosso Ato de Fé) um dia chegaremos aos Seus Pés, por muito que nos tenhamos transviado.


    A Caridade interna não é ter dó por alguém, seja planta, animal ou homem. É a profunda percepção interior, que vai além do sentir intelectual de uma idéia, o poder de sentir a Vida como uma Realidade de Unidade, onde tão só o sagrado tem lugar, já que a Unidade é a verdadeira Realidade Interna, e para realizar esta Realidade, não devemos nos enclausurar, nos separar, nem física nem mentalmente do mundo, é no mundo dos sofrimentos onde a Fé, a Esperança e a Caridade, o sustentarão, salvarão e realizarão em benefício de um mundo e seres mais evoluídos.

    Essa Fé, Esperança e Caridade é o Cristo em nós, Esperança de Glória, como disse São Paulo.

    Que esse Cristo de Ressurreição brilhe em nós nesta Páscoa. Feliz Páscoa para todos.

    Miguel Angel Batet

    Bispo Comisaario para o Brasil